O esquiador Cristian Ribera gravou seu nome na eternidade ao conquistar a medalha de prata na Paralimpíada de Inverno de Milão-Cortina, tornando-se o primeiro atleta brasileiro a subir ao pódio em toda a história do megaevento na neve.
Atual campeão mundial e detentor do cobiçado Globo de Cristal, o jovem de vinte e três anos demonstrou técnica apurada e dominou a maior parte da explosiva prova de sprint do esqui cross-country, competindo na exigente classe voltada para atletas com deficiência nos membros inferiores.
Em um final eletrizante, o brasileiro cruzou a linha de chegada na casa dos dois minutos e vinte e nove segundos, ficando com a segunda colocação a uma diferença minúscula de apenas sete décimos para o chinês Liu Zixu, que faturou o ouro.
O pódio foi completado pelo cazaque Yerbol Khamitov com o bronze.
Após a confirmação oficial do resultado, o atleta rondoniense radicado no interior paulista não escondeu a emoção e dedicou a conquista histórica ao trabalho duro de toda a sua equipe e ao apoio incondicional de sua família.
Em sua avaliação da prova, o esquiador reconheceu que o grande objetivo era a medalha de ouro, mas exaltou o mérito do adversário asiático em um sprint final que exigiu o limite físico de todos os competidores.
Longe de se dar por satisfeito, o medalhista avisou que a meta agora é buscar o topo do pódio nas próximas provas.
A evolução de Ribera impressiona: antes de brilhar na Itália, seu melhor desempenho havia sido a sexta colocação nos Jogos de PyeongChang, na Coreia do Sul, quando tinha apenas quinze anos, seguida por um oitavo lugar em Pequim.
O dia de glórias para o Brasil na neve italiana também foi marcado por um marco expressivo no esporte feminino.
A paranaense Aline Rocha cravou seu nome na história ao encerrar a final da prova feminina de sprint do esqui cross-country na quinta colocação.
Aos trinta e cinco anos, a atleta concluiu o exigente percurso em três minutos e vinte e um segundos, registrando o melhor resultado de uma mulher brasileira em todas as edições dos Jogos de Inverno.
Transbordando alegria por alcançar sua primeira final paralímpica, Aline revelou a esperança de que seu desempenho sirva de inspiração para que mais mulheres conheçam e se aventurem na modalidade, destacando que, apesar de ter faltado um pouco de força nos braços na reta final, o resultado coroa uma trajetória de muita dedicação.
O ouro da prova feminina ficou com a norte-americana Oksana Masters, seguida pela sul-coreana Yunji Kim e pela chinesa Shiyu Wang.
A jornada dos brasileiros em Milão-Cortina segue com uma programação intensa até o fim de semana de encerramento.
Já nesta quarta-feira (11/03), a delegação nacional, incluindo os próprios Cristian e Aline, retorna ao Tesero Cross-Country Stadium para as aguardadas finais dos dez quilômetros.
A sexta-feira reserva as emoções do biatlo com a participação de Elena Sena, Guilherme Rocha e Robelson Lula nas baterias de qualificação e final.
O sábado será marcado pela força do conjunto no revezamento misto do esqui e pelas manobras radicais de Andre Arenhart Barbieri e Vitória Machado nas finais do snowboard.
A campanha histórica do país se encerrará no domingo com a extenuante prova de vinte quilômetros do esqui cross-country, horas antes da pira paralímpica ser apagada na Cerimônia de Encerramento.




