A companhia Qatar Airways mantém toda a sua frota de voos regulares de passageiros em solo desde o primeiro dia de março, operando o gigantesco Aeroporto Internacional de Hamad com capacidade mínima.
O colapso logístico foi desencadeado no final de fevereiro, quando ofensivas aéreas coordenadas pelos Estados Unidos e por Israel contra alvos iranianos provocaram uma retaliação militar imediata em toda a extensão do Golfo Pérsico.
A resposta iraniana atingiu infraestruturas críticas, registrando explosões no aeroporto do Kuwait, em bases militares no Bahrein e no Catar, além de áreas adjacentes ao Terminal Três do Aeroporto Internacional de Dubai, forçando as autoridades de aviação civil a fecharem o espaço aéreo comercial de forma emergencial por questões de segurança nacional.
Em sua atualização operacional mais recente, divulgada nesta sexta-feira, a Qatar Airways confirmou a manutenção da suspensão de seus serviços regulares, operando exclusivamente uma malha restrita de voos de emergência por meio de corredores aéreos autorizados pelo governo local.
As raras decolagens partindo de Doha destinam-se a cidades estratégicas como Londres, Paris, Miami, Seul e Perth, com a administração aeroportuária emitindo alertas severos para que os passageiros não se dirijam aos balcões de check-in sem reservas previamente confirmadas.
No país vizinho, as companhias sediadas nos Emirados Árabes Unidos operam com severas restrições técnicas.
Empresas como Emirates, Etihad e flydubai reportaram o funcionamento de apenas sessenta por cento de suas malhas normais, com previsão de manutenção desse contingenciamento até o final do mês.
A tensão estrutural em Dubai foi agravada na última quarta-feira após a queda de dois drones iranianos nas imediações do aeroporto, deixando quatro pessoas feridas, embora o controle de tráfego aéreo não tenha reportado interrupções adicionais.
Simultaneamente, a Gulf Air permanece inoperante aguardando a liberação do espaço aéreo do Bahrein, enquanto a Oman Air precisou redirecionar seus esforços para rotas de repatriação.
Os efeitos colaterais da guerra irradiaram rapidamente para as operações de companhias europeias e asiáticas, gerando um efeito dominó que prejudica a logística de passageiros em todo o mundo, incluindo o fluxo de viajantes que partem de aeroportos brasileiros e dependem das conexões no Golfo para acessar a Ásia.
A companhia holandesa KLM e a britânica British Airways suspenderam rotas vitais para destinos como Dubai, Doha e Tel Aviv, com a empresa do Reino Unido chegando ao extremo de cancelar todos os voos com destino a Abu Dhabi pelo restante do ano de dois mil e vinte e seis.
Conglomerados como o Grupo Lufthansa, Air France e Cathay Pacific também enxugaram drasticamente suas frequências na região.
Dados consolidados pela empresa de análise aeronáutica Cirium apontam o cancelamento impressionante de mais de quarenta e três mil voos programados em um intervalo de apenas doze dias.
Especialistas em consultoria de aviação avaliam que as diretorias das companhias aéreas operam no limite técnico, tentando equilibrar a pressão comercial de restaurar a conectividade global com o imperativo absoluto de garantir a segurança física de suas tripulações e aeronaves em uma zona de fogo cruzado.




