O governo federal pretende aumentar a mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina de 30% para 32% até o final de junho deste ano.
A medida foi anunciada pelo ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, e representa o segundo reajuste na proporção do biocombustível em menos de um ano.
A aceleração desse cronograma, que ocorreu em um prazo mais curto do que o esperado pelo mercado, é impulsionada diretamente pelos reflexos econômicos do conflito no Oriente Médio.
A mudança faz parte de uma estratégia para garantir o abastecimento interno e mitigar os impactos da guerra no Irã, que mantém o preço do barril de petróleo próximo a US$ 100 no cenário internacional.
Embora a Petrobras tenha evitado repassar a alta integral para as bombas, a gasolina já subiu cerca de 10% desde o início da crise.
Segundo estimativas de analistas, a transição para 32% tem o potencial de substituir o consumo de 1,2 bilhão de litros de gasolina ao longo de 12 meses.
Vale lembrar que a Lei do Combustível do Futuro, de 2024, permite que esse percentual chegue a até 35%, mediante comprovação técnica.
O aumento da cota também servirá para escoar um excedente expressivo de produção projetado para as safras de 2025/2026 e 2026/2027.
O setor calcula um acréscimo de 4 bilhões de litros, sendo metade proveniente da cana-de-açúcar e o restante do milho.
A fabricação de etanol à base de grãos disparou e já representa cerca de 30% do total nacional na safra atual.
Além disso, as usinas devem destinar 53% da cana colhida exclusivamente para o biocombustível, revertendo uma tendência recente que priorizava a produção de açúcar.
Em um movimento paralelo, a indústria de processamento de soja pressiona o governo para acelerar os testes que autorizam o aumento da mistura de biodiesel no diesel convencional.
O setor privado, liderado pela Abiove, propôs dividir os custos de contratação de novos laboratórios para reduzir o tempo das análises técnicas de 14 para apenas quatro meses.
A atual exigência de mistura é de 15%, e o objetivo das empresas é obter a aprovação direta para 20%, argumentando que o prolongamento das tensões globais exige respostas rápidas na matriz energética nacional.




