Um relatório publicado pela organização não governamental Oxfam no Dia Mundial da Alimentação revelou que o Brasil figura como o segundo maior importador mundial de pesticidas proibidos na União Europeia (UE), tendo recebido cerca de 15 mil toneladas dessas substâncias no período analisado.
O ranking global é liderado pelos Estados Unidos, no contexto de um mercado que exportou quase 122 mil toneladas de agrotóxicos banidos por governos europeus para 93 países, em sua maioria localizados no Sul Global.
O levantamento critica a existência de um “duplo padrão” regulatório mantido pelo bloco europeu: enquanto o uso interno de Agrotóxicos Altamente Perigosos (AAPs) é restrito ou vetado sob a justificativa de proteção ambiental e à saúde humana, indústrias químicas sediadas na Europa mantêm autorização para produzir e exportar os mesmos insumos para economias emergentes.
No Brasil, os AAPs representam 49% do total de agrotóxicos comercializados, proporção quatro vezes superior à registrada na Alemanha (12%). Além disso, seis dos dez produtos defensivos mais vendidos no mercado nacional são banidos em território europeu, sendo utilizados intensivamente em lavouras voltadas à exportação de commodities como soja, café e cana-de-açúcar.
A publicação também destaca a elevada concentração econômica do setor agroquímico global, no qual quatro multinacionais controlam 61% do mercado e acumularam cerca de € 2,7 bilhões em receitas com a venda de substâncias de alto risco.
A Oxfam aponta que, enquanto o debate sobre restrições de exportação avança na Europa, o ritmo de aprovação de novos registros de pesticidas no mercado brasileiro manteve tendência de aceleração, demandando maior rigor na fiscalização e proteção a trabalhadores rurais e comunidades expostas.




