As ações da montadora norte-americana Tesla registraram ganhos na quarta-feira (25/03) após novos dados revelarem que os emplacamentos da empresa na Europa voltaram a ficar positivos pela primeira vez em mais de um ano.
No entanto, os papéis devolveram os lucros já na quinta-feira, pressionados por analistas de mercado que continuam a reduzir as previsões de entregas globais da marca para o ano de 2026.
O rali inicial fez as ações subirem 0,8%, fechando cotadas a US$ 385,95, mas a queda de 1,4% no dia seguinte, recuando para US$ 380,66, refletiu o cabo de guerra entre a recuperação da demanda no continente europeu e uma perspectiva internacional mais sombria para a companhia.
Dados recentes do setor automotivo europeu indicam que a fabricante registrou 17.664 veículos em toda a União Europeia, Reino Unido e nações parceiras no mês de fevereiro, interrompendo uma sequência de 13 meses de quedas com um salto de 11,8% em relação ao ano anterior.
O volume ficou pouco atrás de sua principal concorrente chinesa, que registrou 17.954 unidades.
A retomada foi liderada por aumentos expressivos em mercados como França (55%), Espanha (74%) e Alemanha (59%), contrabalançando recuos no Reino Unido e na Holanda.
Apesar dos números positivos, especialistas ponderam que os ganhos partiram de uma base comparativa fraca, visto que os registros no continente haviam despencado no ano anterior.
O atual impulso na demanda europeia também é atribuído à disparada nos custos de combustíveis fósseis devido aos recentes conflitos no Oriente Médio.
Com os preços da gasolina subindo vertiginosamente na União Europeia e se aproximando de US$ 4 por galão nos Estados Unidos, o interesse de busca por veículos elétricos tem saltado significativamente à medida que os consumidores buscam alternativas aos motores a combustão.
Mesmo com os sinais de recuperação na Europa, o mercado financeiro reduziu em mais da metade as projeções de crescimento de entregas da montadora para 2026, cortando a estimativa de 8,2% para cerca de 3,8%.
Analistas do setor alertam que a fraqueza observada em dois dos três maiores mercados globais da empresa aponta para a possibilidade de um terceiro ano consecutivo de declínio nas entregas.
Além disso, projeta-se um fluxo de caixa livre negativo de aproximadamente US$ 5.200.000.000 para este ano, reflexo do plano estratégico da companhia de dobrar seus gastos de capital, que devem ultrapassar a marca de US$ 20.000.000.000.
No curto prazo, os investidores monitoram de perto a decisão regulatória de autoridades de trânsito holandesas, prevista para o mês de abril, sobre a liberação do software de direção totalmente autônoma da marca.
Se o sistema for aprovado, outras nações do bloco europeu poderiam reconhecer a certificação por meio de regras de reconhecimento mútuo, viabilizando uma expansão mais ampla da tecnologia durante o verão no hemisfério norte.
Paralelamente, a direção executiva da companhia anunciou recentemente o desenvolvimento de um novo complexo industrial de semicondutores avaliado em US$ 20.000.000.000.
A infraestrutura, que será instalada próxima à sede da empresa no estado do Texas, contará com duas fábricas dedicadas à produção de chips essenciais para equipar os veículos elétricos, robôs humanoides e aplicações avançadas de inteligência artificial da marca, garantindo a autossuficiência tecnológica da corporação.




