A Uber iniciou uma das maiores reestruturações de sua história recente, com a redução de cerca de 3,3 mil postos de trabalho — aproximadamente 10% do quadro global. É o maior corte promovido pela companhia desde a pandemia de Covid-19 e ocorre justamente enquanto a empresa tenta se preparar para uma transformação que ameaça mexer nas bases do transporte por aplicativo: a expansão dos robotáxis.
A ordem interna agora é reduzir camadas de gestão, concentrar equipes em grandes centros e acelerar decisões. A companhia também endureceu sua política de trabalho presencial: apenas cerca de 1% dos empregados deverá permanecer integralmente remoto, enquanto o modelo híbrido exige presença no escritório três dias por semana.
Por trás da tesoura administrativa está uma aposta bilionária. A Uber prevê comprometer mais de US$ 10 bilhões nos próximos anos em investimentos, infraestrutura e compromissos relacionados a veículos autônomos. A empresa informou recentemente que já tinha operações autônomas disponíveis em sete cidades e trabalhava para chegar a até 15 até o fim de 2026.
O movimento não acontece em meio a uma crise financeira. No segundo trimestre, a Uber registrou receita de US$ 14,2 bilhões, lucro líquido de US$ 2,4 bilhões e 3,9 bilhões de viagens, com crescimento de 18% no número de corridas em relação ao ano anterior. A companhia, portanto, enxuga a estrutura enquanto ainda cresce — uma reorganização para disputar um mercado em que, no futuro, o motorista poderá deixar de estar ao volante.




