Lula chega ao G7 pelas mãos de Macron e mira possível conversa com Trump

Foto: Instagram do presidente da República
Foto: Instagram do presidente da República

Presidente brasileiro foi recebido na França pelo anfitrião do encontro; participação ocorre em meio a tensão comercial com os EUA, crise no Oriente Médio e tentativa de reposicionar o Brasil no debate global

 

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi recebido nesta segunda-feira (15) pelo presidente da França, Emmanuel Macron, em Évian-les-Bains, cidade francesa que sedia a Cúpula do G7. O encontro marca o retorno do Brasil ao centro das discussões entre algumas das principais economias do planeta, embora o país participe apenas como convidado, e não como integrante formal do grupo.

 

A presença brasileira ocorre a convite de Macron, aliado político de Lula no cenário internacional. O G7 reúne Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Itália, Japão e Reino Unido, além da participação institucional da União Europeia. Para esta edição, a França também convidou países como Brasil, Índia, Coreia do Sul e Quênia.

 

Nas redes sociais, Lula afirmou que o Brasil retorna ao encontro levando “a voz do Sul Global” e reafirmando compromisso com a paz, o multilateralismo e o desenvolvimento sustentável. A frase embala bem o discurso diplomático, mas o teste real será menos poético: transformar presença em resultado concreto.

 

A agenda internacional do presidente ocorre em um momento sensível. O DFMobilidade já havia mostrado, na matéria Lula embarca ao G7 sem reunião com Trump e expõe limite da diplomacia do improviso, que não havia confirmação de reunião bilateral formal entre Lula e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Ainda assim, a expectativa no entorno do governo brasileiro é de que possa haver algum tipo de conversa entre os dois líderes à margem do evento.

 

A eventual aproximação com Trump ganha peso porque Brasil e Estados Unidos atravessam uma fase de atrito comercial. O DFMobilidade também acompanhou esse cenário em Lula reage a novo tarifaço dos EUA e mira Flávio Bolsonaro e em Flávio diz que pediu a Trump para não taxar empresas brasileiras, episódios que colocaram as tarifas norte-americanas no centro da disputa política e econômica.

 

Além da tensão comercial, o encontro do G7 será dominado por temas de alta temperatura geopolítica. Estão na pauta a guerra na Ucrânia, os desdobramentos no Oriente Médio, a segurança energética, a inteligência artificial, a dívida de países em desenvolvimento e os desequilíbrios da economia global.

 

O cenário ficou ainda mais complexo após Trump anunciar um entendimento com o Irã, tema tratado pelo DFMobilidade em Trump anuncia acordo de paz com o Irã e libera Ormuz em virada no Oriente Médio. A crise no Estreito de Ormuz, rota estratégica para o petróleo mundial, deve entrar com força nas conversas entre os líderes.

 

Para Lula, a Cúpula do G7 funciona como vitrine e teste. De um lado, o presidente tenta reforçar a imagem de liderança do chamado Sul Global. De outro, enfrenta a cobrança por resultados práticos em comércio, investimentos e diplomacia. No tabuleiro internacional, foto com Macron ajuda; conversa com Trump, se vier, pode pesar mais.

 

A participação brasileira está prevista para os debates desta terça-feira (16) e quarta-feira (17). Segundo o Planalto, a agenda inclui parcerias internacionais, crescimento econômico equilibrado e inteligência artificial.

 

O desafio de Lula será mostrar que o Brasil não foi à França apenas para compor a fotografia oficial. Em encontros desse porte, cadeira à mesa é importante. Mas, na diplomacia, quem só discursa costuma sair com o crachá — e pouca coisa além dele.

 

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