Mauro Vieira afirma que a análise coube à pasta de José Múcio e admite que não foi localizado precedente semelhante nos arquivos diplomáticos brasileiros
O Ministério das Relações Exteriores atribuiu ao Ministério da Defesa a responsabilidade pelo aval que permitiu ao general venezuelano Luis Gerardo Reyes Rivero atuar como adido militar da Venezuela em Brasília. Em resposta à Câmara dos Deputados, o chanceler Mauro Vieira informou que a Defesa declarou “não haver óbice” à concessão do beneplácito diplomático, enquanto ao Itamaraty teria cabido apenas comunicar a aprovação à Embaixada venezuelana.
Reyes Rivero integra desde 27 de novembro de 2024 a lista de autoridades sancionadas pelo Departamento do Tesouro dos Estados Unidos. Segundo o governo norte-americano, o militar comandou a Zona Operacional de Defesa Integral de Yaracuy e fazia parte da estrutura da Guarda Nacional Bolivariana acusada de reprimir manifestações, realizar detenções arbitrárias e agredir opositores após a contestada eleição presidencial venezuelana.
O requerimento de informações foi apresentado pela Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional da Câmara. Na resposta, o Itamaraty também reconheceu não ter encontrado em seus arquivos outro caso de beneplácito concedido a um adido militar estrangeiro submetido a sanções internacionais semelhantes. As restrições dos Estados Unidos não produzem impedimento jurídico automático no Brasil, mas o histórico do indicado exigia, no mínimo, uma justificativa pública mais robusta.
O episódio expõe mais um capítulo do alinhamento controverso do governo Lula com representantes do regime venezuelano. Enquanto Itamaraty e Defesa delimitam responsabilidades num cuidadoso jogo de empurra diplomático, permanece sem resposta a questão central: quais critérios políticos e de segurança levaram o governo brasileiro a abrir as portas para um integrante da estrutura militar chavista acusado de participar da repressão contra a população venezuelana?
Leia também
Governo Lula dá aval a general de Maduro sancionado pelos EUA e desafia Washington
Itamaraty impõe sigilo em documentos enviados ao TSE sobre eleições na Venezuela
Lula retoma contato fora da agenda com Maduro e reforça alinhamento com regimes autoritários






