As companhias aéreas brasileiras precisaram suspender ou readequar emergencialmente suas rotas devido à inviabilidade de pousos e decolagens em terminais vitais do país vizinho, como os de Buenos Aires, Córdoba, Mendoza e Rosário.
A situação logística nos aeroportos argentinos se agravou após a notificação formal de adesão ao movimento grevista por parte do sindicato que representa os trabalhadores de serviços de rampa e solo, impossibilitando o suporte básico às aeronaves comerciais.
O caos operacional forçou empresas como Latam e Gol a realizarem ajustes drásticos em suas malhas. Enquanto algumas rotas foram definitivamente canceladas para a data, outras sofreram alterações significativas de horário e dia.
A orientação central das administradoras de aviação é que os passageiros verifiquem a situação atualizada de seus bilhetes exclusivamente pelos canais digitais oficiais antes de se deslocarem para as salas de embarque, evitando maiores transtornos presenciais.
Para mitigar os prejuízos aos viajantes afetados pelos cancelamentos ou reprogramações, as companhias estão oferecendo políticas de flexibilidade que incluem a remarcação da passagem sem custos adicionais para uma nova data dentro do período de um ano, ou a opção de solicitar o reembolso integral do valor da reserva.
O reflexo desse gargalo logístico atingiu passageiros de Norte a Sul do território brasileiro, já no Rio de Janeiro, o Aeroporto do Galeão registrou um impacto expressivo com a suspensão de mais de trinta operações, somando as chegadas e partidas.
Em Santa Catarina, o terminal de Florianópolis contabilizou dezenas de rotas canceladas desde a véspera do movimento grevista. Interrupções significativas também foram confirmadas na capital paulista, no Distrito Federal, no Rio Grande do Sul, no Rio Grande do Norte e na Bahia.
Em contrapartida, as administrações aeroportuárias do Paraná e de Minas Gerais informaram que não houve transtornos locais, pois a programação mensal já não previa conexões diretas com a Argentina para as datas afetadas.
A mobilização massiva no país vizinho é uma resposta coordenada por centrais sindicais contra o projeto de lei que altera as regras trabalhistas, que já foi aprovado pelo Senado e agora avança para a análise da Câmara dos Deputados argentina.
A proposta governamental visa flexibilizar o período de férias, permitir jornadas de até doze horas diárias e reduzir os custos de demissão patronal, sob a justificativa oficial de incentivar a criação de empregos formais e garantir maior segurança jurídica para as corporações.
No entanto, as entidades representativas da classe trabalhadora argumentam que o texto legislativo ameaça garantias históricas e enfraquece o direito fundamental de greve.
Além dos transtornos no transporte aéreo de passageiros, a paralisação atinge severamente o motor econômico da Argentina.
O setor de exportação agropecuária encontra-se estagnado, especialmente nos importantes polos de Rosário e San Lorenzo, devido à adesão maciça dos trabalhadores marítimos e da indústria de processamento de oleaginosas.
A interrupção dos serviços portuários e de navegação impede a atracação de navios cargueiros, travando temporariamente o escoamento global em um país que figura historicamente como o maior exportador mundial de óleo e farelo de soja.




