O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou que deixou o Brasil por temer uma prisão que considera resultado de perseguição política. Em entrevista ao jornal norte-americano The New York Times, divulgada nesta quinta-feira (5), o ex-candidato à Presidência relatou que decidiu partir após ser informado de medidas judiciais contra ele, determinadas pouco depois da derrota eleitoral para Luiz Inácio Lula da Silva.
Segundo Flávio, a decisão ganhou força após uma visita ao pai, Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar. Na ocasião, recebeu a informação de que deveria entregar seus passaportes à Polícia Federal. O senador relatou que o ex-presidente demonstrou preocupação com seu futuro e o alertou sobre as possíveis consequências das medidas. Para Flávio, os acontecimentos reforçaram a convicção de que poderia enfrentar o mesmo destino judicial do pai.
O parlamentar acusa setores do Supremo Tribunal Federal de atuação politicamente motivada e sustenta que as investigações contra integrantes de sua família ultrapassaram os limites de uma disputa jurídica. Embora seja investigado em três inquéritos na Suprema Corte, Flávio ainda não responde a uma acusação criminal formal nesses procedimentos. Ele nega qualquer irregularidade e afirma que permanecer no Brasil representaria o risco de uma condenação que considera previamente definida.
Instalado em Miami desde 28 de outubro, o senador declarou que organizou sua saída ao lado da esposa, Fernanda Bolsonaro, e que pretende manter sob sigilo os detalhes do deslocamento. Apesar da distância, assegura que continuará participando da vida política brasileira, defendendo suas propostas e questionando judicialmente o resultado eleitoral. Flávio não descarta uma nova candidatura presidencial e afirma esperar que a permanência nos Estados Unidos seja temporária. Para ele, a saída do país não representa abandono da atividade política, mas uma tentativa de preservar sua liberdade diante do que denuncia como perseguição judicial.




