EUA miram Alibaba e BYD em lista ligada ao Exército chinês

Foto: Reprodução do X
Foto: Reprodução do X

Pentágono acusa gigantes chinesas de integrarem estratégia de fusão civil-militar de Pequim; medida amplia a pressão de Washington sobre tecnologia, carros elétricos e inteligência artificial da China

O governo dos Estados Unidos incluiu Alibaba, BYD, Baidu, Tencent e outras empresas chinesas em uma lista do Departamento de Defesa que identifica companhias consideradas vinculadas, direta ou indiretamente, ao aparato militar da China.

A relação foi divulgada pelo Pentágono com base na Seção 1260H da Lei de Autorização de Defesa Nacional dos EUA. Segundo o documento oficial, as empresas enquadradas operam direta ou indiretamente nos Estados Unidos e foram classificadas como “Chinese military companies”, expressão usada por Washington para designar companhias que, na avaliação americana, contribuem para a base industrial de defesa chinesa.

No caso do Alibaba, o Departamento de Defesa afirma que o grupo tem vínculo indireto com a Sasac, órgão estatal chinês de supervisão de ativos, e que seria contribuinte da chamada “fusão civil-militar” por sua ligação com o Ministério da Indústria e Tecnologia da Informação da China, o MIIT.

A BYD, maior fabricante chinesa de veículos elétricos, também entrou na mira. O Pentágono sustenta que a companhia tem ligação direta e indireta com a Sasac, além de vínculo indireto com o MIIT. O documento afirma ainda que a empresa estaria associada a uma zona empresarial de fusão civil-militar.

A lista também cita a Baidu, gigante de buscas e inteligência artificial, e a Tencent, dona de plataformas digitais de alcance global. A Baidu é descrita como afiliada ao MIIT, enquanto a Tencent aparece como indiretamente ligada ao Exército de Libertação Popular, nome oficial das Forças Armadas chinesas.

A inclusão não equivale, automaticamente, a sanção econômica ampla. Na prática, porém, o enquadramento impõe restrições relevantes no mercado de defesa americano, sobretudo em contratos diretos e indiretos com o Pentágono. Também tende a elevar o custo reputacional das companhias listadas e pode abrir caminho para novas medidas no Congresso dos EUA.

Segundo a Associated Press, a lista atualizada chegou a 188 entidades chinesas, contra cerca de 130 na relação anterior. A agência observa que uma empresa listada ainda pode fazer negócios nos Estados Unidos, mas passa a enfrentar maior escrutínio político, regulatório e comercial.

A Reuters informou que as empresas podem pedir a retirada da lista ao governo americano. O Pentágono sustenta que as companhias designadas se enquadram nos critérios legais como empresas militares chinesas e operam nos Estados Unidos, exigência prevista na legislação americana.

A decisão eleva a temperatura da disputa entre Washington e Pequim em áreas estratégicas como semicondutores, inteligência artificial, veículos elétricos, drones, telecomunicações e computação em nuvem. Em tradução política: a guerra fria tecnológica segue com gravata, carimbo oficial e planilha de Excel.

Para os EUA, o avanço de empresas privadas chinesas em setores sensíveis não pode ser separado da estratégia militar de Pequim. Para a China e suas companhias, a classificação representa mais uma tentativa americana de conter a ascensão tecnológica do país sob o argumento da segurança nacional.

O episódio reforça um movimento já conhecido da política externa americana: transformar a cadeia tecnológica chinesa em assunto de defesa. O alvo, desta vez, não é apenas uma fabricante de equipamentos militares ou uma empresa estatal tradicional. São marcas globais, presentes no cotidiano de consumidores, investidores e governos — de plataformas digitais a carros elétricos.

A mensagem de Washington é clara: no tabuleiro entre EUA e China, tecnologia deixou de ser apenas mercado. Virou território estratégico.

Comentários

Políticas de Privacidade

Este site usa cookies para que possamos fornecer a melhor experiência de usuário possível. As informações de cookies são armazenadas em seu navegador e executam funções como reconhecê-lo quando você retorna ao nosso site e ajudar nossa equipe a entender quais seções do site você considera mais interessantes e úteis.