Assista: Milei dobra a aposta contra Lula: “É ladrão e corrupto”

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Presidente argentino reafirma ataques, rejeita qualquer recuo e mantém aberta uma das mais graves crises diplomáticas recentes entre Brasília e Buenos Aires

 

O presidente da Argentina, Javier Milei, elevou novamente o tom contra Luiz Inácio Lula da Silva durante entrevista ao jornalista Luis Majul, exibida neste domingo (2) pelo programa La Cornisa, da LN+. Milei chamou o brasileiro de “ladrão”, “corrupto” e “presidiário” e afirmou que Lula “não é inocente”. Ao justificar a agressividade, declarou que seria “muito mais leve chamar um ladrão de ladrão do que o próprio ato de roubar”. Na mesma conversa, acusou o governo brasileiro de financiar uma campanha contra a Argentina durante a Copa do Mundo, mas não apresentou provas que sustentassem a denúncia.

 

A entrevista mostra que a Casa Rosada não pretende reduzir a temperatura da crise iniciada em 25 de julho, quando Milei participou, em São Paulo, da convenção do PL que lançou Flávio Bolsonaro à Presidência. Na ocasião, o argentino também atacou Lula e o ministro Alexandre de Moraes, após ser impedido de visitar Jair Bolsonaro. A reação brasileira saiu do discurso e chegou à diplomacia: o Itamaraty convocou o embaixador argentino Daniel Raimondi, chamou Julio Bitelli de volta de Buenos Aires para consultas e classificou o episódio como uma agressão sem precedentes envolvendo países que mantêm mais de dois séculos de relações.

 

Há, contudo, uma diferença entre a acusação política de Milei e o registro jurídico brasileiro. As condenações de Lula na Lava Jato foram anuladas pelo Supremo Tribunal Federal porque a 13ª Vara Federal de Curitiba foi considerada incompetente para julgar os processos. Posteriormente, a Segunda Turma do STF reconheceu a parcialidade do então juiz Sergio Moro no caso do triplex. Portanto, a afirmação de que Lula seria culpado apesar das anulações representa a interpretação política do presidente argentino, e não uma decisão judicial atualmente válida.

 

Ao repetir os ataques uma semana depois do incidente, Milei transforma uma divergência ideológica em política de Estado e reduz o espaço para uma saída diplomática discreta. O risco imediato ainda não é o rompimento das relações, mas o desgaste de uma parceria estratégica para o comércio, o Mercosul e a cooperação regional. Brasília cobra respeito institucional; Buenos Aires não pede desculpas. Entre os dois governos, a diplomacia tenta apagar um incêndio enquanto Milei, aparentemente, continua procurando fósforos.

 

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