A Argentina está viva na Copa do Mundo, mas saiu do gramado com cara de quem escapou de um incêndio vestida de favorita. A atual campeã sofreu mais do que previa diante de Cabo Verde, venceu por 3 x 2 apenas na prorrogação e carimbou vaga nas oitavas depois de levar um susto daqueles que não cabem no manual dos gigantes. Messi abriu o placar, mas o roteiro que parecia simples virou teste de nervos, resistência e humildade.
Cabo Verde não entrou para fazer turismo esportivo. Empatou no tempo normal com Deroy Duarte, voltou a reagir na prorrogação com um golaço de Sidny Lopes Cabral e empurrou a Argentina para uma partida desconfortável, física e mentalmente pesada. A seleção africana encontrou corredores, atacou com coragem e mostrou que o time de Lionel Scaloni tem rachaduras evidentes: sofre quando perde intensidade, demora a matar o jogo e oferece ao adversário uma sobrevida perigosa demais para quem sonha com título.
O gol salvador de Cristian Romero, após cobrança de escanteio de Messi, evitou uma catástrofe esportiva. Mas a classificação não apaga o alerta. A Argentina dependeu novamente da genialidade do camisa 10 e de bola parada para resolver um jogo em que deveria ter imposto autoridade. O DFMobilidade já havia destacado o peso histórico de Messi em Mundiais na matéria “Messi faz golaço, alcança Rivelino e supera Pelé em marca histórica das Copas”, mas nem todo recorde serve de curativo para uma defesa que concedeu esperança demais ao azarão.
Cabo Verde deixa a competição com derrota no placar, mas não no tamanho da campanha. A seleção que já havia chamado atenção também fora de campo, como mostrou o DFMobilidade em “Capitão de Cabo Verde é investigado por estupro de brasileira em plena Copa”, agora sai com uma atuação que obriga respeito dentro das quatro linhas. A Argentina avançou, é verdade. Mas avançou com sirene ligada, retrovisor trincado e a incômoda sensação de que, contra um adversário mais letal, o susto pode virar sentença.




