Por: Lucas Santana
Convenções partidárias decidem os nomes que disputarão oito vagas na Câmara dos Deputados e 24 cadeiras na Câmara Legislativa
Brasília — Antes de aparecer nas urnas, toda candidatura precisa vencer uma disputa menos visível: a negociação dentro do próprio partido. Desde 20 de julho, legendas e federações estão autorizadas a realizar convenções para escolher quem concorrerá aos cargos de deputado federal e deputado distrital nas eleições de 2026. O prazo termina em 5 de agosto, enquanto os pedidos de registro devem ser encaminhados ao Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal até as 19h de 15 de agosto.
No Distrito Federal, cada partido ou federação poderá registrar até nove candidatos a deputado federal — uma candidatura além das oito cadeiras em disputa — e até 25 nomes para deputado distrital, considerando as 24 vagas da Câmara Legislativa. A nominata também deve respeitar o limite mínimo de 30% e máximo de 70% de candidaturas de cada gênero. Em uma chapa completa, isso representa ao menos três candidaturas de cada gênero para deputado federal e oito para deputado distrital. As federações funcionam como uma única legenda e não podem multiplicar o limite pelo número de partidos que as integram.
Preencher todas as vagas disponíveis, porém, nem sempre é a melhor estratégia. Como deputados federais e distritais são eleitos pelo sistema proporcional, entram na conta os votos recebidos por todos os candidatos e pela própria legenda. Partidos precisam equilibrar parlamentares com mandato, lideranças das regiões administrativas, representantes de segmentos sociais e candidatos capazes de somar votos sem destruir os próprios aliados numa guerra interna. Fundo eleitoral, tempo de propaganda e potencial de votação também pesam na escolha — porque nominata não é álbum de figurinha: cada nome consome recursos e interfere diretamente no desempenho coletivo.
A realidade política brasiliense já demonstra o peso dessas decisões partidárias. O DFMOBILIDADE mostrou como uma deliberação do PL alterou o projeto eleitoral do senador Izalci Lucas e como a Federação PSOL-Rede oficializou candidaturas proporcionais enquanto enfrentava divergências na composição majoritária. No fim, o eleitor escolhe o candidato, mas são as convenções, as direções partidárias e os cálculos do quociente eleitoral que começam a desenhar quem realmente terá condições de chegar à Câmara dos Deputados ou à Câmara Legislativa.




