O Aeroporto Internacional de Brasília passará por um novo leilão após aprovação do Tribunal de Contas da União para a repactuação do contrato entre o governo federal e a concessionária Inframerica. A expectativa oficial é que o certame ocorra em novembro de 2026, com a empresa vencedora assumindo a operação do terminal até 2037.
A medida redesenha completamente o modelo atual da concessão, firmada em 2012, após o aeroporto não atingir o volume de passageiros originalmente projetado. O novo contrato obriga a atual concessionária a participar do leilão, o que cria um ambiente competitivo e abre espaço para novos operadores no principal hub aéreo do Centro-Oeste.
O pacote aprovado prevê cerca de R$ 1,2 bilhão em investimentos diretos no aeroporto de Brasília, destinados à modernização da infraestrutura, ampliação da capacidade e melhorias operacionais. Além disso, o modelo de outorga será alterado: em vez de valores fixos, o pagamento passará a ser variável, vinculado à receita da concessão — uma mudança que tenta corrigir distorções financeiras do contrato anterior.
Outro ponto central é a inclusão de dez aeroportos regionais no contrato, dentro do programa federal de aviação regional. Esses terminais, localizados principalmente no Centro-Oeste, Paraná e Bahia, devem receber cerca de R$ 660 milhões em investimentos, com foco em expansão, manutenção e aumento da conectividade aérea.
A repactuação também marca a saída da Infraero da sociedade após o leilão. Atualmente, a estatal detém 49% da concessão, enquanto a Inframerica possui 51%. A estatal será indenizada pela sua participação.
Nos bastidores, o movimento evidencia mais uma tentativa do governo federal de reequilibrar contratos de concessão que não entregaram os resultados esperados — algo que vem se tornando recorrente no setor aeroportuário brasileiro. Ainda assim, o discurso oficial aposta na reestruturação como forma de atrair novos investimentos e garantir a sustentabilidade do sistema.
No papel, o plano parece robusto. Na prática, o desafio será transformar promessas bilionárias em melhorias concretas para passageiros e operadores — porque, no fim das contas, aeroporto bom não é o que está no edital… é o que funciona na vida real.




