No primeiro turno apoio ao PT no segundo a máscara caída de Paula Belmonte no DF é revelada

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A política brasiliense costuma cobrar caro de quem tenta navegar na ambiguidade, e o resultado das urnas em 2026 foi implacável com Paula Belmonte. Derrotada ainda no primeiro turno da disputa pelo Governo do Distrito Federal, amargando um distante terceiro lugar com apenas 8,51% dos votos válidos, a candidata do PSDB encerrou sua campanha deixando um rastro de contradições que expõe, de forma cristalina, o seu total desapego às causas conservadoras que um dia fingiu defender.

Durante toda a corrida eleitoral, Paula escolheu um alvo preferencial: a chapa de direita liderada pela governadora Celina Leão. Em vez de confrontar o projeto da esquerda no Distrito Federal, dedicou sua artilharia e seu tempo de campanha para tentar desgastar justamente a aliança que representa o eleitorado conservador da capital. A estratégia não apenas falhou em lhe garantir competitividade, como revelou que seu projeto político passava longe de qualquer compromisso ideológico com a direita.

A prova definitiva dessa guinada veio com o episódio que sepultou de vez qualquer verniz conservador: a gravação de um vídeo afagando e declarando apoio à candidatura da petista Erika Kokay, símbolo histórico da esquerda sindical e ideológica no DF. Ao se aliar publicamente à figura de Kokay na reta decisiva e, no segundo turno, assistir ao seu próprio partido liberar apoio ao petista Leandro Grass enquanto se recusava a caminhar com Celina Leão, Paula Belmonte deixou claro que suas convicções duram exatamente o tempo de uma conveniência eleitoral.

A ironia dessa trajetória torna-se ainda mais aguda quando se olha para dentro de sua própria casa. Paula é esposa do empresário Luís Felipe Belmonte, que há poucos anos posava de articulador central da direita nacional ao tentar construir, ao lado de Jair Bolsonaro, o partido Aliança pelo Brasil. A empreitada partidária naufragou num fracasso retumbante por incapacidade de organização e falta de assinaturas, mas serviu de vitrine para que o casal surfasse na onda conservadora quando o vento soprava a favor.

Passada a onda, sobrou o pragmatismo vazio. Do fracasso na criação do partido bolsonarista ao vídeo de apoio a Erika Kokay, o roteiro protagonizado pelo clã Belmonte mostra que a bandeira conservadora nunca foi um princípio inegociável — foi apenas um figurino descartado assim que deixou de render votos. O eleitor do Distrito Federal percebeu a manobra e deu a resposta exata nas urnas.

 

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