Enquanto a média de óbitos registrados nas vias urbanas e rurais da capital federal se manteve na casa de setenta e três vítimas anuais no período entre 2021 e 2024, o ano passado rompeu essa estabilidade de forma dramática, contabilizando cento e quatro vidas perdidas em decorrência de colisões graves.
Diante dessa escalada de fatalidades, a autarquia de trânsito decidiu reestruturar e ampliar suas abordagens de conscientização.
A gerência de educação viária do órgão confirmou a expansão imediata de programas de paradas educativas, focados em levar orientações diretas sobre direção defensiva e respeito irrestrito aos limites de velocidade.
As análises técnicas apontam que a esmagadora maioria das tragédias está diretamente ligada a comportamentos de risco assumidos pelos condutores, destacando-se o uso perigoso dos corredores entre os carros, a falta de distância de segurança para os demais veículos, o tráfego na contramão, a distração gerada pelo uso do celular e a letal combinação de consumo de bebidas alcoólicas antes de assumir o guidão.
A urgência dessas medidas preventivas foi evidenciada de forma trágica no último fim de semana, quando as rodovias e eixos da capital registraram uma sequência sombria de acidentes severos envolvendo motocicletas.
Apenas no domingo, as equipes de resgate precisaram atuar em ocorrências extremas, incluindo um choque fatal na BR-020 que tirou a vida de um condutor de cinquenta anos, e um atropelamento no Eixão Sul, onde a impossibilidade de frenagem de uma moto resultou na morte de um pedestre na pista.
O cenário de violência viária se completou com resgates complexos de vítimas em estado crítico e inconscientes após violentas batidas na região da Granja do Torto e na rodovia DF-280, mobilizando grande parte do efetivo de emergência do estado.
O impacto direto dessa imprudência sobrecarrega severamente o sistema de saúde pública da capital federal.
Dados da chefia de trauma do Hospital de Base do Distrito Federal indicam que um em cada três atendimentos de emergência realizados na maior unidade de saúde local corresponde a motociclistas politraumatizados.
O reflexo desse volume é visível na rotina de internações, com os profissionais de saúde recebendo cerca de dois mil e quinhentos condutores de motos com ferimentos complexos apenas na ala de estabilização grave ao longo de 2025.
Esse cenário hospitalar reforça a necessidade premente de uma mudança de cultura e respeito às leis para tentar frear essa verdadeira epidemia de colisões.




