Após a derrota nas urnas, parlamentares do PT, PSol e PSB organizam uma atuação conjunta contra o governo de Celina Leão. A articulação com o governo Lula entra no tabuleiro político, mas ainda não há evidências de um plano para prejudicar a gestão distrital.
A vitória de Celina Leão (PP), com 57,18% dos votos válidos no segundo turno, não encerrou a disputa política no Distrito Federal. Parlamentares de esquerda já articulam uma frente de oposição na Câmara Legislativa (CLDF), apesar da ampla sustentação política conquistada pela governadora entre os deputados eleitos.
Entre os protagonistas estão Chico Vigilante, Gabriel Magno e Ricardo Vale, do PT; Max Maciel e Keka Bagno, do PSol; além de Múcio Botelho e Dayse Amarilio, do PSB. O grupo pretende coordenar iniciativas nas áreas de saúde, educação, transporte e habitação, além de intensificar a fiscalização sobre o Executivo, especialmente nas questões envolvendo o Banco de Brasília (BRB).
A estratégia também ultrapassa os limites da Câmara Legislativa. Deputados federais eleitos pelo campo progressista, entre eles Agnelo Queiroz (PT), Fábio Félix (PSol) e Reginaldo Veras (PV), defendem maior articulação política em Brasília. Agnelo considera fundamental a interlocução com o governo federal para obter recursos destinados à saúde, à mobilidade urbana e à manutenção do Fundo Constitucional do Distrito Federal.
A reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) amplia as possibilidades de interlocução dos oposicionistas com o Palácio do Planalto. A proximidade partidária poderá colocar governo federal e GDF em lados diferentes de disputas por prioridades orçamentárias e decisões administrativas. Entretanto, as declarações conhecidas até agora não demonstram intenção deliberada de sabotar a administração de Celina Leão.
Celina, por sua vez, chega ao novo mandato respaldada por uma expressiva maioria política. A governadora contabiliza 18 deputados distritais entre seus apoiadores e já declarou disposição para dialogar inclusive com adversários partidários. O desafio da próxima legislatura será distinguir a fiscalização legítima do confronto político que eventualmente comprometa projetos de interesse da população. Afinal, a eleição terminou, mas Brasília continuará exigindo respostas de governistas e oposicionistas.




