Leila descobre que atalho com fake news também tem volta
A senadora Leila Barros divulgou, nesta segunda-feira, 18 de maio de 2026, nota pública de esclarecimento em que reconhece não haver elementos para manter o pedido de averiguação encaminhado ao Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) contra portais associados à Associação Brasileira de Portais de Notícias (ABBP). O recuo ocorre após a parlamentar ter se baseado em publicações do Vero Notícias, também conhecido no meio político local como Blog do Gim.
Na nota, assinada pela própria senadora, o gabinete informa que a notícia de fato havia sido encaminhada anteriormente ao MPDFT com base em matérias publicadas pelo Vero Notícias e enviadas ao gabinete. Após diálogo com dirigentes da ABBP, Leila concluiu que não havia elementos suficientes para justificar a continuidade do pedido de apuração.
O episódio é daqueles em que a política tropeça no próprio entusiasmo. A senadora, que inicialmente levou adiante questionamentos contra portais associados à ABBP, acabou reconhecendo oficialmente que a fundamentação não sustentava a continuidade do procedimento. Em bom português: a denúncia fez barulho, mas não ficou de pé.
Segundo a nota, o MPDFT considerou a fundamentação apresentada e determinou o arquivamento da notícia de fato, com base no artigo 5º, § 2º, da Resolução nº 66/2005 do Conselho Superior do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (CSMPDFT). O procedimento, portanto, foi encerrado ainda na fase preliminar.
O caso ganha mais peso político porque as publicações que motivaram a representação da senadora partiram do Vero Notícias. O portal foi citado em reportagem do Expressão Brasiliense como alvo de suspeitas em investigação da Polícia Federal sobre supostos repasses milionários ligados ao banqueiro Daniel Vorcaro, com menção a valores de R$ 23 milhões e a uma possível rede de comunicação destinada a atacar o Banco Central, o BRB e adversários políticos no Distrito Federal. As informações são tratadas como suspeitas em apuração.
A reportagem do Expressão Brasiliense também afirma que documentos atribuídos ao chamado “Projeto DV” teriam indicado a contratação de influenciadores, blogs e sites para atuação coordenada em defesa de interesses ligados ao Banco Master e contra instituições e personagens políticos do DF.
Na nota desta segunda-feira, Leila Barros tenta recolocar o episódio no campo institucional. O gabinete afirma respeitar a liberdade de imprensa, a livre manifestação do pensamento e o papel dos veículos independentes para o fortalecimento da democracia brasileira.
Apesar do recuo público da senadora, a ABBP e portais associados informam que avaliam medidas nas esferas cível e criminal contra o Vero Notícias e demais envolvidos na divulgação das acusações consideradas falsas. A entidade entende que os veículos foram atingidos por denúncias sem sustentação suficiente e que houve tentativa de comprometer a imagem de portais independentes do Distrito Federal.
O arquivamento do procedimento pelo MPDFT representa uma vitória institucional para a ABBP e para os portais associados. Também deixa uma lição incômoda para quem transforma publicação de blog em munição política: antes de apertar o gatilho da denúncia, convém conferir se há bala ou apenas fumaça.
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