Na manhã desta terça-feira, 7 de abril de 2026, centenas de indígenas ocuparam três faixas do Eixo Monumental, em Brasília, no sentido Rodoviária, provocando lentidão no trânsito da região central da capital federal. A mobilização faz parte da programação do Acampamento Terra Livre (ATL 2026), considerado o maior encontro anual dos povos originários do país.
O protesto reuniu representantes de diversas etnias, que caminharam cerca de seis quilômetros até a Esplanada dos Ministérios, sob forte calor, levando faixas e mensagens em defesa da demarcação de terras e da preservação de direitos constitucionais.
A 22ª edição do Acampamento Terra Livre reúne aproximadamente 10 mil indígenas de diferentes regiões do Brasil, incluindo povos como tikuna, kokama, pataxó, guajajara e krahô. O evento segue até o próximo dia 11 de abril, com uma agenda voltada à articulação política e à pressão institucional.
No centro das críticas está o chamado “marco temporal”, tese jurídica que limita a demarcação de terras indígenas àquelas ocupadas até a promulgação da Constituição de 1988. Lideranças indígenas acusam o Congresso Nacional de avançar em propostas que, segundo elas, fragilizam direitos históricos e favorecem interesses ligados ao agronegócio, mineração e grandes empreendimentos.
O Eixo Monumental, principal via do Plano Piloto e palco tradicional de grandes manifestações políticas e sociais, voltou a ser ocupado como símbolo de pressão direta sobre os Três Poderes.
A mobilização reforça o tom de confronto entre movimentos indígenas e o Legislativo federal, num momento em que projetos sensíveis avançam em Brasília — e, mais uma vez, a Esplanada se transforma em arena de disputa política.




