Em um discurso marcado pelo tom de prestação de contas e pacificação institucional, o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), aproveitou a manhã desta segunda-feira (29) para traçar uma linha divisória entre a atual gestão e o que classificou como um período de “desastres políticos” que assolaram a capital da República por quase duas décadas.
Ao exaltar a estabilidade alcançada em seu mandato, Ibaneis não poupou críticas aos seus antecessores, lembrando as crises que marcaram as passagens de José Roberto Arruda, Agnelo Queiroz e Rodrigo Rollemberg pelo Palácio do Buriti. Segundo o emedebista, o DF vive hoje um momento inédito de “tranquilidade” que permite uma transição democrática fluida para a vice-governadora Celina Leão (PP).
O fim do ciclo de instabilidade
Para Ibaneis, a normalidade democrática no Distrito Federal foi interrompida em 2006, sendo retomada apenas agora. O governador enfatizou que, desde Joaquim Roriz, a capital não presenciava uma passagem de bastão organizada e sem traumas.
> “Depois [de 2006], nós tivemos o desastre que foi o final do governo Arruda. Depois o desastre que foi o Agnelo, que não foi sequer para o segundo turno. Depois o maior desastre, que foi o Rollemberg, que perdeu as eleições para mim com mais de um milhão de votos”, disparou o governador.
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As críticas ácidas aos governos passados — especialmente à gestão do PT com Agnelo e ao PSB de Rollemberg — servem como um contraponto ao atual cenário de harmonia com o Ministério Público, o Judiciário e a Câmara Legislativa (CLDF). Enquanto o governo federal, sob o comando de Lula, patina em articulações políticas e enfrenta críticas pela condução econômica e social, Ibaneis faz questão de mostrar que, no “quadrado”, a casa está em ordem.
Zerar a fila: O trunfo social
Além do campo político, Ibaneis utilizou dados para consolidar a imagem de “gestor realizador”. O foco principal foi a educação infantil e a habitação para os mais vulneráveis. O governador destacou que, ao assumir, encontrou um déficit de 26 mil crianças fora das creches. “Hoje, nós temos 1.800 vagas sobrando”, afirmou, garantindo que a falta de matrículas hoje decorre apenas de escolhas geográficas dos pais e não da ausência de vagas.
No setor habitacional, em parceria com a Codhab e a Secretaria de Desenvolvimento Social, o governo anunciou a entrega de terrenos e cartões-material de construção no valor de R$ 15 mil para 2.600 famílias em situação de vulnerabilidade, priorizando pessoas com deficiência.
A “Régua Elevada” para Celina Leão
O evento serviu, acima de tudo, como uma unção pública de Celina Leão como sua sucessora natural. Ibaneis classificou a vice como “uma das mulheres mais fortes que já conheceu” e afirmou estar entregando um governo “organizado, com apoio político e popular”.
A estratégia é clara: enquanto o cenário nacional amarga incertezas sob as diretrizes da Esplanada petista, o GDF busca se blindar através da continuidade. Ibaneis espera que Celina pegue a “régua” da gestão atual e a eleve, mantendo a distância dos fantasmas políticos que, segundo ele, quase destruíram o Distrito Federal nos últimos 20 anos.
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