O eleitor brasiliense tem faro apurado para engodos de gabinete e memória longa para farras administrativas. A mais recente fotografia do Datafolha (DF-01888/2026) escancara o que os corredores climatizados da Esplanada teimam em varrer para baixo do tapete: a esquerda do quadradinho não apenas bateu de frente contra o seu histórico teto de vidro, mas começou a derreter em praça pública.
Enquanto Celina Leão (PP) navega em águas de calmaria, embalada pelas entregas e pela musculatura político/partidaria (18 partidos) — já roçando uma acachapante liquidação da fatura no primeiro turno, com 51% dos votos válidos no cenário sem José Roberto Arruda —, as duas apostas do establishment progressista protagonizam um verdadeiro show de horrores eleitoral.
Leandro Grass, alçado ao posto de homem de confiança de Luiz Inácio Lula da Silva, caminha a passos largos para consolidar sua vocação de freguês de carteirinha do Buriti. Depois de amargar duas derrotas maiúsculas para o grupo de Ibaneis Rocha nas urnas, o pupilo petista parece determinado a pedir música no Fantástico com o terceiro revés consecutivo. Grass descobriu da pior forma que a bênção do Planalto virou chumbo nas asas: a impopularidade cavalar de Lula no Distrito Federal funciona como pura toxina, contaminando qualquer ensaio de voo solo. Grass parece um leproso que ninguém quer chegar perto. Preso ao espólio radioativo de gestões petistas do passado — que deixaram Brasília marcada por descalabro fiscal e corrupção —, o eterno candidato patina sem freio entre 21% e 23% (27% dos válidos). Na simulação de segundo turno contra Celina, o placar de 53% a 34% não é apenas uma derrota anunciada, mas uma humilhação matemática para quem já coleciona fracassos em série.
Mesmo em 2018 quando ganhou uma cadeira de distrital com 6578 votos, não se pode celebrar como sendo uma vitória tão MAIÚSCULA assim!
Mas se o desempenho de Grass cheira a melancolia, o caso de Ricardo Cappelli (PSB) é pura comédia de costumes. O eterno homem de confiança de Flávio Dino — ministro comunista que levou para o Supremo Tribunal Federal um lastro de controvérsias ruidosas e uma desconfiança popular quase unânime — descobriu que a empáfia de interventor federal não compra simpatias no ponto de ônibus. Ostentando vexatórios 2% a 5% das intenções de voto, o afilhado de Dino virou mero traço estatístico. O verniz de “xerife da ordem” descolou-se por completo da realidade das cidades satélites; a soberba de burocrata não fura a blindagem de quem prefere ver a cidade funcionando a ouvir sermão ideológico. O forasteiro paraquedista não engana ninguém no DF nem os “cumpanhêro” petista!
A fatura cobrada pelas urnas é cristalina. Amarrada a padrinhos desgastados e incapaz de superar o fantasma do próprio passado, a esquerda assiste, atônita e de joelhos, à consolidação incontestável de Celina Leão no horizonte de Brasília.
No domingo dia 4, talvez já dê para pedir música no Fantástico!
Por: Lucas Santana
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