Fim da escala 6×1 pode encarecer escolas do DF em até 23% e pressionar orçamento das famílias

Foto: Geovana Albuquerque/Agência Brasília
Foto: Geovana Albuquerque/Agência Brasília

A redução da jornada de trabalho, uma das principais bandeiras defendidas pelo governo Lula, poderá trazer uma consequência indesejada para as famílias do Distrito Federal: mensalidades escolares mais caras em 2027. Estimativa do Sindicato dos Estabelecimentos Particulares de Ensino do DF (Sinepe-DF) aponta reajustes de até 23%, considerando os impactos da nova legislação e os aumentos anuais já previstos pelas instituições.

 

O percentual resulta de um estudo encomendado pela Confederação Nacional dos Estabelecimentos de Ensino (Confenen). Segundo o levantamento, as despesas adicionais decorrentes da mudança trabalhista poderiam representar um acréscimo de 8% a 11% nas mensalidades. Somado ao reajuste anual estimado entre 9% e 12%, o aumento total poderia alcançar 23%. Trata-se, entretanto, de uma projeção do setor patronal, e não de um reajuste confirmado.

 

A Emenda Constitucional nº 141, promulgada em 16 de outubro, estabelece dois dias de descanso semanal remunerado e reduz progressivamente a jornada máxima de 44 para 40 horas, sem diminuição salarial. A primeira etapa da redução, para 42 horas semanais, ocorrerá em dezembro de 2026. O setor educacional teme especialmente os reflexos sobre a remuneração dos professores contratados por hora-aula, além da necessidade de reorganizar equipes e absorver novos encargos.

 

A preocupação é maior entre escolas de pequeno e médio porte, que operam com margens financeiras mais estreitas. O Sinepe-DF alerta para dificuldades de manutenção das atividades e até possíveis fechamentos, caso os custos não possam ser absorvidos. Até agora, porém, não há registro divulgado de instituições do DF que tenham anunciado aumento específico decorrente da nova jornada.

 

Para os responsáveis pelos estudantes, o alerta chega justamente no período de planejamento das matrículas de 2027. A legislação exige que os reajustes sejam fundamentados na variação dos custos das instituições, comprovada por planilha. A conquista de mais tempo de descanso para os trabalhadores é um avanço social, mas seus efeitos econômicos também exigem atenção. Afinal, quando os custos aumentam, a discussão inevitavelmente chega ao bolso de quem paga a conta.

 

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