Enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebia fora da agenda oficial o dono do Banco Master no Palácio do Planalto, em dezembro de 2024 — encontro reservado, com ministros e o então indicado ao Banco Central — a esquerda no Distrito Federal manteve um silêncio que beira a estátua de cera em exposição de museu.
O banqueiro Daniel Vorcaro, cujo império financeiro agora está sob investigação por fraudes bilionárias, foi recebido no gabinete presidencial por cerca de uma hora e meia, em reunião articulada por Guido Mantega — consultor do próprio Master após deixar o ministério com salário milionário. Meses depois, o caso estourou em escândalo: a venda do banco ao BRB foi abortada e o Banco Central decretou a liquidação da instituição.
O mais curioso — ou constrangedor — foi a postura da esquerda local: nada, nadinha de pressões, cobranças ou notas indignadas sobre um encontro que, para além de informal, ocorreu enquanto o caso ainda ecoava em inquéritos e sigilos judiciais. O silêncio é ainda mais ensurdecedor considerando que o episódio ganhou repercussão nacional e envolve fraudes estimadas em bilhões.
A omissão contrasta com a recente fala do próprio Lula, que em evento público afirmou que “falta vergonha na cara” de quem defende o banqueiro. Uma frase forte — mas que, até agora, não virou pauta quente entre setores alinhados ideologicamente ao Planalto no DF.
E não para por aí: aliados próximos ao caso sinalizam encontros extra-agenda entre o presidente e ministros do STF para discutir o mesmo processo sigiloso, amplificando o desconforto sobre transparência e separação de poderes.
O resultado? Um episódio que poderia ser tempestade política virou brisa leve nas rodas de conversas progressistas de Brasília — tão tímidas quanto um silêncio de biblioteca no horário de almoço.
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