Governadora determinou a suspensão do chamamento da Terracap para regularização de 160 imóveis comerciais e mistos no Trecho 2; decisão abre nova rodada de negociação com moradores, empresários e lideranças locais
A governadora do Distrito Federal, Celina Leão, anunciou a suspensão do edital de regularização fundiária de 160 imóveis de uso comercial e misto no Trecho 2 de Vicente Pires. A decisão foi tomada após reação de ocupantes e representantes políticos contra os valores previstos no chamamento público lançado pela Terracap.
“Pedi que o edital das áreas comerciais de Vicente Pires fosse suspenso, para que a gente possa chegar a um entendimento”, afirmou Celina. A governadora também destacou que pretende reunir representantes da região e o deputado distrital Pastor Daniel de Castro para buscar uma solução negociada. “O diálogo é sempre o melhor caminho”, disse.
O edital havia sido publicado pela Terracap como parte do processo de regularização fundiária da região. Segundo a Agência Brasília, o Edital nº 04/2026 abrangia 160 imóveis comerciais e mistos, com valores a partir de R$ 313,36 por metro quadrado, já considerando desconto de 25% para pagamento à vista. O prazo para apresentação de proposta iria até 30 de julho.
A suspensão recoloca o tema na mesa política em um momento sensível para Vicente Pires, cidade que passou por forte processo de urbanização nos últimos anos. O DFMobilidade já mostrou essa transformação na reportagem “Construí uma cidade”, o discurso de Ibaneis Rocha celebra a rurbanização de Vicente Pires, que destacou investimentos em pavimentação, drenagem e infraestrutura urbana.
Pelas regras divulgadas inicialmente, a venda direta permitiria ao ocupante regularizar o imóvel antes de eventual inclusão em licitação pública. A Terracap informou que o parcelamento poderia chegar a 60 meses com manutenção do desconto de 25% sobre o valor total, além de financiamento direto pela agência em prazos maiores para pessoas físicas, empresas, SPEs, associações e cooperativas.
A contestação ganhou força depois que o deputado Pastor Daniel de Castro levou o caso ao Tribunal de Contas do Distrito Federal. Em manifestação na Câmara Legislativa, o parlamentar afirmou que os valores exigidos superavam a capacidade de pagamento dos moradores e disse ter protocolado representação com pedido de medida cautelar para suspender o edital.
Na avaliação do distrital, a regularização deveria garantir segurança jurídica, mas o modelo apresentado pela Terracap acabou sendo visto por parte dos ocupantes como uma cobrança pesada demais para uma área consolidada há anos. A crítica central é que a política pública não pode transformar o sonho da escritura em boleto impagável — e aí o cartório vira miragem.
A decisão de Celina também preserva o discurso do GDF de ampliar a regularização fundiária sem romper o diálogo com comunidades que aguardam segurança jurídica há décadas. Em outra frente, o DFMobilidade já registrou a promessa do governo de avançar com escrituras e moradias no DF na matéria Ibaneis promete continuar entregando mais escrituras e moradias no Distrito Federal até o fim de seu mandato.
Com a suspensão, o próximo passo será a construção de uma alternativa que concilie capacidade de pagamento, segurança jurídica e interesse público. Celina indicou que a reunião com representantes locais deve abrir caminho para ajustes no processo. A expectativa entre moradores e comerciantes é que o novo entendimento preserve o objetivo da regularização, mas com condições consideradas mais compatíveis com a realidade econômica de Vicente Pires.
A medida transforma uma crise pontual em oportunidade de repactuação. Ao puxar o freio do edital, Celina tenta evitar que a regularização, uma das agendas mais importantes para a cidade, seja contaminada por desgaste político e insegurança entre os ocupantes. No fim, a escritura precisa ser solução — não susto.






