Debate na Record expõe contradições: Arruda desafia a Justiça, Grass passa pano para Lula e Celina vira alvo em púlpito vazio

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Encontro televisivo em Brasília revela malabarismo de ex-governador barrado pelo TRE, subserviência petista à asfixia do Fundo Constitucional pelo Planalto e o tiroteio previsível da oposição contra a cadeira de Celina Leão.

 

​O debate promovido pela Record Brasília na tarde desta segunda-feira (21) serviu como uma verdadeira vitrine das incoerências que marcam a corrida pelo Palácio do Buriti. Em quase duas horas de transmissão, o estúdio da emissora foi palco de teses jurídicas insustentáveis, tentativas constrangedoras de blindar os desmandos do governo federal contra o Distrito Federal e uma fixação quase obsessiva dos concorrentes no púlpito desocupado pela vice-governadora Celina Leão (PP), que manteve sua rotina de compromissos oficiais à frente da gestão distrital.

​A miragem jurídica de Arruda: convite de TV não revoga decisão judicial

​O momento mais emblemático das incongruências do encontro partiu de José Roberto Arruda (PSD). Em sua primeira intervenção, o ex-governador tentou emplacar uma tese curiosa para convencer o eleitor de que segue no páreo: a de que sua presença física no estúdio da Record seria a prova cabal de sua elegibilidade. “Se eu não fosse candidato, a Record, que é uma emissora séria, nem teria me convidado”, repetiu, apostando na confusão do público.

​O contraponto à narrativa não tardou. Questionado diretamente pelo analista político Vladimir Porfírio sobre a recente e contundente decisão unânime do Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal (TRE-DF), que barrou o registro de sua candidatura por entender que as flexibilizações da Lei da Ficha Limpa não o alcançam, Arruda apelou para a evasão. Sem respaldo jurídico sólido frente ao placar unânime dos desembargadores, limitou-se ao jargão “aceita que dói menos”, ignorando solenemente o peso do rito legal e insistindo em vender uma candidatura juridicamente comprometida como fato consumado.

​Leandro Grass e o silêncio obsequioso à tesoura de Lula no Fundo Constitucional

​Se no campo judicial a coerência foi deixada de lado, no debate orçamentário o candidato petista Leandro Grass protagonizou um malabarismo retórico constrangedor. Confrontado pela jornalista Flávia Alvarenga sobre a recente lei federal sancionada pelo presidente Lula — sem qualquer veto — que impõe um dispositivo de trava ao crescimento dos repasses do Fundo Constitucional do Distrito Federal (FCDF), Grass se esquivou.

​O petista não conseguiu explicar por que, mesmo ostentando intimidade e trânsito livre nos corredores do Palácio do Planalto, jamais cobrou publicamente de seu padrinho político o veto a um mecanismo que ameaça os recursos vitais da segurança, saúde e educação de Brasília. Em vez disso, Grass preferiu relativizar o corte, alegando que a norma tratava de temas tributários gerais e receitas petrolíferas. A postura dócil expôs o dilema da esquerda local: como se apresentar como guardião do DF quando a tesoura fiscal parte exatamente do governo federal ao qual o candidato é politicamente subordinado?

​Tiroteio ao púlpito vazio: a estratégia do ataque sem contra-ataque

​A ausência formal de Celina Leão — informada previamente pela assessoria em função de agendas inadiáveis do cargo — acabou por ditar o roteiro da oposição. Sem a governadora em exercício para responder pessoalmente às provocações, o púlpito vazio virou o para-raios de todos os candidatos.

​Ricardo Capelli (PSB), Paula Belmonte (PSDB) e Kiko Caputo (Novo) dividiram o tempo entre promessas de difícil execução e ataques orquestrados contra o Buriti. No entanto, o efeito prático do tiroteio produziu um contraste nítido: enquanto os postulantes gastavam preciosos minutos em ofensas a uma cadeira desocupada, a ausência de Celina refletiu o foco da atual gestão distrital na continuidade dos serviços públicos e na execução de obras que seguem em andamento pela capital. Para os observadores políticos, o tom exaltado dos opositores apenas evidenciou a falta de densidade programática para além do antipoder instituído.

​O debate da Record consolidou o cenário de polarização de narrativas: de um lado, candidatos que desafiam a jurisprudência eleitoral ou que silenciam diante do estrangulamento financeiro imposto pela União ao DF; de outro, uma oposição que tenta compensar no microfone o vazio de projetos viáveis para a cidade.

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