Sindicatos apontam que taxas de comprometimento de renda superam capacidade de manutenção de despesas essenciais.
A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) oficializou, nesta terça-feira (9), uma ofensiva para forçar o Banco de Brasília (BRB) e o Governo do Distrito Federal (GDF) a apresentarem dados concretos e estratégias de enfrentamento ao endividamento excessivo dos servidores públicos locais.
Acesse os ofícios: https://abre.ai/pntx
A medida ocorre após o agravamento dos relatos sobre o comprometimento extremo da renda do funcionalismo, tema que ganhou força em debates recentes no Senado sobre os desdobramentos do caso Banco Master.
O cenário de crise, segundo sindicatos da categoria, tem levado servidores a escolherem entre o pagamento de empréstimos consignados e a manutenção de despesas básicas, como saúde e alimentação.
Dados sob lupa
Nos ofícios encaminhados ao presidente do BRB, Nelson Antônio de Souza, e à governadora Celina Leão, a senadora exige transparência sobre a real situação da carteira de crédito.
O gabinete de Damares quer saber, especificamente, quantos servidores possuem comprometimento de renda superior a 40%, 60%, 80% e até 100%.
“A dimensão exata desse fenômeno, entretanto, demanda dados oficiais e atualizados, razão pela qual se mostram necessárias as informações ora solicitadas”, justificou a senadora.
Histórico de pressão
O problema não é novo, mas tem se intensificado na capital federal. O superendividamento no serviço público distrital é alvo de disputas políticas e sindicais há anos.
Em novembro de 2025, sindicatos denunciaram que a situação se tornou crítica, agravada pela pressão sobre o orçamento dos servidores e falta de transparência por parte da gestão pública.
A Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) tem tentado emplacar medidas paliativas desde 2022, quando aprovou projetos focados em limitar descontos em conta corrente.
Mais recentemente, o Legislativo local tem debatido leis que buscam oferecer crédito subsidiado para tentar socorrer os atingidos pelo endividamento.
O que está em jogo
No rol de cobranças ao BRB, Damares questiona se a instituição pretende adotar os mecanismos de renegociação previstos na Lei do Superendividamento (Lei nº 14.181/2021). A expectativa é que o banco, que detém relevância histórica na folha de pagamento do DF, integre o combate às dívidas em seu planejamento estratégico.
“Entende-se que a construção de soluções equilibradas para esse desafio poderá contribuir simultaneamente para a proteção dos servidores, para a sustentabilidade da carteira de crédito e para o fortalecimento institucional da própria instituição”, defendeu a senadora.
A governadora Celina Leão, que recentemente assinou decretos de redução de gastos públicos, agora é instada a informar se existe um grupo de trabalho ou cronograma para o socorro financeiro aos servidores que acumulam dívidas.






