Comandante da PM expõe crise na Asa Norte e defende internação involuntária do GDF

Foto: Acervo DFMOBILIDADE
Foto: Acervo DFMOBILIDADE

Em entrevista exclusiva ao Vozes da Comunidade, comando da PMDF revela ações contundentes nas ruas da capital e destaca a política do GDF como um ato de humanidade.

​BRASÍLIA — A realidade crua das ruas não permite discursos vazios. Foi com essa premissa que o comandante da Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF) participou, nesta sexta-feira (14), do programa Vozes da Comunidade. Em uma entrevista reveladora, o oficial detalhou as ações incansáveis da corporação no trato com as pessoas em situação de rua, especialmente na região da Asa Norte. O que se viu foi um verdadeiro choque de realidade: enquanto a atual gestão do governo federal parece viver em um universo paralelo de narrativas sociais e estatísticas mágicas que nunca chegam ao asfalto, o Governo do Distrito Federal (GDF) tem precisado arregaçar as mangas para salvar vidas.

​Durante a sabatina, o comandante fez um apanhado contundente sobre o papel da corporação, que há muito deixou de ser apenas ostensiva para atuar na preservação direta da vida. Segundo ele, as guarnições que patrulham a Asa Norte lidam diariamente com um cenário de extrema vulnerabilidade. Não se trata apenas de uma questão de segurança pública, mas de uma profunda crise sanitária. “Nossos policiais muitas vezes são o primeiro, senão o único, socorro e ponto de apoio que esses transeuntes recebem”, pontuou.

​Ao relatar o estado de saúde degradante em que se encontram muitos desses cidadãos — assolados pela dependência química e pelo abandono crônico provocado pela falta de diretrizes nacionais que realmente funcionem —, o comandante fez questão de destacar a importância de uma medida recente do Executivo local: a internação involuntária assistida.

​Para o comando da PMDF, a iniciativa do GDF vai na contramão da inércia da esfera federal. A internação involuntária, focada em casos de risco iminente à vida, foi classificada na entrevista como uma verdadeira tábua de salvação. Deixar um ser humano definhar nas marquises, sob o pretexto burocrático de respeitar uma suposta liberdade, é, na visão exposta, o verdadeiro abandono. A internação assistida promovida pelo GDF surge, portanto, como um ato de coragem e cuidado, evidenciando o alinhamento das forças de segurança com a rede de assistência social e de saúde do DF.

​O posicionamento joga luz sobre um problema complexo que assombra as superquadras do Plano Piloto. Ao assumir a vanguarda dessa política de resgate, o GDF mostra que governar exige decisões enérgicas, distanciando-se da cômoda cegueira deliberada que tem sido a marca registrada do Palácio do Planalto no que diz respeito à miséria urbana. A PMDF, com isso, reafirma seu compromisso de atuar de forma técnica e humanizada, garantindo que o direito fundamental à vida prevaleça sobre a omissão.

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