Abismo nas urnas: Celina Leão alcança 56% e escancara o naufrágio político e o passado pesado de Leandro Grass
A mais recente rodada da pesquisa IGAPE desenhou um abismo eleitoral no Distrito Federal. Ao cravar expressivos 56% das intenções de voto, a vice-governadora Celina Leão consolida um favoritismo que flerta abertamente com a fatura liquidada logo no primeiro turno.
O número acachapante não revela apenas a força de um projeto que dialoga com a cidade, mas escancara a rejeição ruidosa àqueles que tentam se vender como novidade carregando o caixão do passado recente.
Para Leandro Grass, a distância quilométrica de Celina nas sondagens não é fruto do acaso. Na política de Brasília, a memória popular costuma ser implacável com quem tenta empacotar velhos caciques com verniz de renovação.
O eleitor brasiliense não se esqueceu de onde vem o núcleo que sustenta a candidatura de Grass. O ecossistema partidário que o cerca é o mesmíssimo que entregou a capital a um colapso administrativo sem precedentes sob o comando de Agnelo Queiroz.
Vale sempre o refresco de memória: Agnelo entrou para as crônicas policiais da Operação Panatenaico, preso temporariamente no escândalo dos desvios bilionários na reforma faraônica do Estádio Mané Garrincha, enquanto a saúde pública da capital amargava o caos absoluto.
Como se não bastasse a sombra constrangedora de ex-governadores desmoralizados pelo Judiciário, Grass carrega a conta indigesta da sua subserviência à Esplanada dos Ministérios.
Instalado em um cargo federal no IPHAN pelas mãos do Palácio do Planalto, o ex-deputado ensaia bravatas em defesa do DF, mas silenciou de forma cúmplice quando o governo Lula tentou garfar e asfixiar o Fundo Constitucional do Distrito Federal (FCDF) no Arcabouço Fiscal.
Enquanto ministros de Lula desdenhavam de Brasília chamando a capital de “ilha da fantasia” e ameaçavam o sustento direto da segurança, saúde e educação dos brasilienses, Grass fez malabarismos retóricos para não desagradar seus chefes em Brasília.
Defender a sangria orçamentária da própria cidade em nome da cartilha partidária cobrou um preço caro.
Os 56% de Celina Leão não são apenas uma marca nas pesquisas: são o recado cristalino de uma cidade que se recusa a entregar o cofre para quem apoia o confisco dos seus recursos e caminha de braços dados com o atraso.
Por: Lucas Santana-Jornalista
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