A governadora do Distrito Federal e candidata à reeleição, Celina Leão (PP), foi categórica nesta terça-feira, 6 de outubro: a privatização do Banco de Brasília (BRB) está “completamente descartada”. A declaração responde diretamente a uma narrativa que ganhou força durante a campanha, inclusive com o adversário Leandro Grass (PT) afirmando que o banco poderia caminhar para “liquidação ou privatização” em caso de vitória de Celina. Até agora, porém, as medidas oficialmente adotadas pelo Governo do Distrito Federal seguem outra direção: recuperação, capitalização e manutenção da instituição sob controle público.
A documentação oficial reforça essa diferença entre discurso eleitoral e decisão administrativa. Lei sancionada pelo GDF ratificou o acordo homologado pelo Supremo Tribunal Federal para viabilizar uma operação de crédito destinada exclusivamente ao aporte de capital no BRB. O próprio banco informou oficialmente que o entendimento entre Distrito Federal e União busca fortalecer seu capital dentro das regras do sistema financeiro e que a instituição continua funcionando normalmente e atendendo clientes e parceiros.
Isso não significa esconder os problemas enfrentados pelo BRB. O banco atravessa uma situação financeira delicada e precisa concluir seu processo de capitalização, com riscos que já foram apontados inclusive por agências de classificação. Mas há uma distância considerável entre reconhecer dificuldades financeiras e transformar, sem ato formal que sustente a afirmação, uma estratégia de recuperação em suposta venda do patrimônio público. Crise exige solução; rumor eleitoral não pode ocupar o lugar dos fatos.
Celina afirmou ainda que o governo procura alternativas de financiamento, inclusive no mercado internacional, para reduzir a dependência de um sindicato de bancos nacionais. A mensagem política e administrativa, portanto, é clara: o projeto apresentado pelo governo é recuperar e fortalecer o BRB, não privatizá-lo. Enquanto não existir medida oficial em sentido contrário, tratar a venda do banco como destino definido é especulação — e, em pleno segundo turno, uma especulação com evidente peso eleitoral.



