O silêncio também fala. E, neste caso, constrange.
A decisão da governadora do Distrito Federal, Celina Leão, de cancelar as festividades do aniversário de Brasília e redirecionar R$ 25 milhões para a saúde pública não foi apenas um ato de gestão — foi uma intervenção cirúrgica em uma velha prática política, historicamente associada à esquerda, baseada no “pão e circo”: oferecer entretenimento e eventos enquanto as demandas reais da população seguem à espera.
Dessa vez, o script foi rasgado.
Celina fez o movimento oposto. Em vez de investir em shows, estruturas e celebrações custosas, optou por fortalecer a rede pública de saúde, priorizando atendimento básico, presença de profissionais e melhoria do serviço para quem realmente depende do sistema. E, ao fazer isso, desmontou — com um único decreto — uma das narrativas mais convenientes da política populista.
O resultado foi imediato: silêncio absoluto da oposição.
Ricardo Capelli, Leandro Grass e José Roberto Arruda, nomes que costumam ocupar espaço com críticas rápidas e discursos ensaiados, simplesmente desapareceram do debate. Nenhuma reação consistente, nenhuma tentativa de desqualificar a medida. Apenas o vazio. E não por acaso.
A mesma esquerda que defende o pão e circo foi obrigada a se calar diante da dura realidade e sagacidade de Celina. Eles aguardavam ansiosos pela posse e para começar um ataque sem precedentes e principalmente à Secretaria de Saúde do GDF.
Afinal, como atacar uma decisão que troca festa por atendimento médico? Como sustentar uma narrativa contrária quando a medida ecoa diretamente na vida de quem enfrenta filas, espera consultas e depende do SUS diariamente? Criticar, neste caso, seria politicamente suicida.
Nos bastidores, a decisão repercutiu com força. A comunidade médica recebeu a medida como um gesto de prioridade real. Técnicos da área classificaram como ajuste necessário. E, principalmente, o cidadão comum — o “povão” que depende da rede pública — entendeu o recado de forma clara: alguém finalmente escolheu o essencial.
E é justamente aí que a política muda de patamar.
Enquanto muitos ainda operam no campo das narrativas, Celina passou a operar no campo dos fatos. E isso tem reflexo direto no cenário eleitoral. Hoje, a governadora desponta liderando a corrida em todas as pesquisas de intenção de voto para o pleito de outubro — não por discurso, mas por contraste.
De um lado, adversários presos a velhas fórmulas. Do outro, uma decisão que, goste-se ou não, conversa diretamente com a realidade da população.
No fim, Celina não precisou responder a ninguém.
Ela apenas governou — e, com isso, deu um cala a boca elegante em quem vive de narrativa.




