José Roberto Arruda (PSD) deixou sem resposta uma das perguntas mais incômodas do debate ao Governo do Distrito Federal promovido pelo Metrópoles nesta quinta-feira (10). Questionado pelo jornalista Igor Gadelha sobre como devolveria aos cofres públicos cerca de R$ 645 milhões atribuídos às condenações por improbidade, o ex-governador contestou os processos, mas não apresentou uma explicação objetiva sobre o eventual ressarcimento.
O montante tem origem nos cálculos apresentados em uma das impugnações contra a candidatura. Sete condenações relacionadas ao ex-governador somavam aproximadamente R$ 96,2 milhões em valores nominais e chegariam a R$ 645,1 milhões após atualização até junho de 2026, segundo os números levados ao processo eleitoral. Seis dessas condenações ainda produzem efeitos de inelegibilidade, conforme sustentou o Ministério Público Eleitoral.
Diante da cobrança no debate, Arruda voltou a argumentar que provas utilizadas contra ele teriam sido anuladas e afirmou acreditar que conseguirá reverter sua situação judicial. Na réplica, o jornalista insistiu na pergunta sobre o pagamento. Novamente, o candidato desviou para críticas ao atual governo e a adversários — e a conta de centenas de milhões continuou sem uma resposta direta.
O episódio ocorre uma semana depois de o TRE-DF indeferir o registro da candidatura de Arruda, ao reconhecer que ele permanece inelegível em razão de condenações por improbidade administrativa. A defesa recorreu ao Tribunal Superior Eleitoral, e o candidato pode continuar fazendo campanha enquanto o recurso estiver pendente. No debate, porém, a questão foi bem mais simples que a batalha jurídica: perguntaram como pagaria. A resposta não veio.




