A gananciosa fome de poder do MDB-DF

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Há uma hora em que a política, como na parábola bíblica, separa o joio do trigo. Durante anos, o MDB-DF cresceu à sombra do poder, ocupou espaços, fez alianças de conveniência, distribuiu influência e se apresentou como pilar da governabilidade. Agora, quando Celina Leão assume o protagonismo natural do processo político, parte da legenda mostra que nunca esteve interessada apenas no projeto de Brasília. Estava interessada, sobretudo, no controle da chave do cofre e da porta do palácio.

O MDB governou o Distrito Federal por sete anos com Ibaneis Rocha. Para permanecer no comando, caminhou com a direita, flertou com o centro, conversou com Paulo Octávio e não teve cerimônia em ensaiar pontes até com setores da esquerda, inclusive o PT, quando isso parecia conveniente. Nada contra alianças. Política se faz com composição. O problema é quando composição vira método de sobrevivência, e sobrevivência vira vício. Aí já não é articulação. É apetite.

A saída recente de nomes ligados ao MDB do governo, logo após Ibaneis renunciar para disputar o Senado, deixou a cena mais clara do que discurso em convenção partidária. O caso BRB/Master, desastroso em sua dimensão política, ajudou a rasgar o pano de fundo. O que antes era vendido como estratégia passou a cheirar a operação de permanência no poder. E quando a política começa a parecer engenharia de ocupação, o eleitor percebe. Pode até demorar, mas percebe.

“Ah mais Celina sabia de tudo!” …todo mundo sabe que vice não manda em nada e só é escolhido para ser vice quem tiver perfil de não incomodar. Celina fez bem esse papel.

A rebelião dos deputados distritais liderados por Rafael Prudente, com pedido de intervenção contra a presidência de Wellington Luiz, é o retrato acabado dessa disputa. Wellington quer manter o apoio a Celina. O grupo insatisfeito quer retomar o comando da máquina partidária e se pudesse tomaria a máquina Estatal. Não há, nesse movimento, uma grande tese para o DF, uma ideia nova para a cidade, uma agenda pública robusta. Há apenas o velho instinto de quem confunde partido com propriedade e governo com extensão do próprio gabinete.

Quem acompanha a politica de bastidores no DF sabe ha muito tempo que Rafael Prudente sempre quis ser o candidato do MDB-DF ao GDF. Comentava-se muito que o ex governador Ibaneis havia “forcado a barra” para Rafael gravar videos de apoio a Celina e mesmo assim ele nunca perdeu esperança. Se não é de um jeito vai de outro.

Celina faz bem em se afastar desse abraço. Há apoios que somam; há apoios que cobram a alma na fatura seguinte. Se tiver juízo político, a governadora saberá transformar esse afastamento em afirmação de independência, sem gritaria, sem rompante e sem cair na armadilha da guerra miúda. O MDB-DF teve sete anos para provar que era trigo. Preferiu cultivar o joio. Agora não reclame da colheita.

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