Gestão de Paulo Henrique no BRB é acusada de “tocar terror” enquanto banco tenta reconstruir confiança
O caso BRB ganhou um novo capítulo incômodo. O bancário e sindicalista Cristiano Severo afirmou que a gestão do ex-presidente Paulo Henrique Costa foi marcada por assédio moral, pressão interna e adoecimento de empregados. A declaração foi dada ao programa Vozes da Comunidade na manhã deste sábado 30 de maio. Segundo ele, Paulo Henrique “tocava terror” dentro do banco, com cobranças agressivas, descomissionamentos e pressão por metas.
A fala reforça uma dimensão menos visível da crise: por trás dos números bilionários, das investigações e das decisões judiciais, havia trabalhadores submetidos a um ambiente de tensão. Cristiano Severo disse que empregados responsáveis por análises técnicas teriam sido pressionados a aprovar operações em prazos curtos, mesmo diante de questionamentos internos. Segundo o sindicalista, “as pessoas adoeceram durante a gestão de Paulo Henrique”.
O relato aparece no momento em que o BRB ainda tenta se recompor dos efeitos da relação com o Banco Master. O Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Master em 18 de novembro de 2025. A Polícia Federal prendeu Paulo Henrique Costa em abril de 2026, no âmbito da Operação Compliance Zero, investigação que apura fraudes no sistema financeiro envolvendo o extinto Banco Master.
Reportagem do Correio Braziliense apontou que mensagens obtidas pela investigação indicariam pressão de Paulo Henrique para acelerar compras de carteiras de crédito do Banco Master. A PF suspeita que parte dos ativos adquiridos pelo BRB era composta por créditos fraudulentos ou sem lastro real. É o tipo de operação que, quando dá errado, não deixa apenas rombo contábil: deixa trauma institucional, servidor acuado e contribuinte olhando para a conta com cara de quem não pediu a sobremesa.
Para tentar conter os danos, União e Governo do Distrito Federal chegaram a um acordo, homologado pelo Supremo Tribunal Federal, para viabilizar operação de crédito destinada ao BRB junto ao Fundo Garantidor de Crédito. A medida busca abrir caminho para a capitalização do banco e preservar a instituição pública em meio à turbulência provocada pelo caso Master.
A denúncia do sindicalista, contudo, amplia o debate. O problema não se resume à engenharia financeira que levou o BRB à crise. Há também a necessidade de apurar responsabilidades internas, fortalecer a governança, proteger técnicos contra pressões indevidas e impedir que decisões estratégicas sejam conduzidas sob medo, vaidade ou improviso.
O BRB é patrimônio do Distrito Federal. Por isso, recuperar dinheiro, confiança e estabilidade não basta. É preciso reconstruir o ambiente interno, blindar o banco de interferências temerárias e garantir que nenhum gestor volte a tratar uma instituição pública como se fosse extensão de projeto pessoal.
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