TCU carimba contas de Lula, mas diagnóstico revela hemorragia fiscal

Brasília (DF), 10/03/2023 - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, durante reunião ministerial, no Palácio do Planalto.

Foto: Agência Brasil
Brasília (DF), 10/03/2023 - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, durante reunião ministerial, no Palácio do Planalto. Foto: Agência Brasil

Tribunal de Contas da União aprova balanço de 2025 sob alerta severo de “contabilidade criativa” e trajetória insustentável da dívida pública

O Tribunal de Contas da União (TCU) concedeu, nesta quarta-feira, 10, o selo de aprovação às contas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva referentes ao exercício de 2025. Contudo, o “sim” da Corte veio acompanhado de um diagnóstico preocupante: o governo federal navega em águas fiscais turbulentas, marcado por receitas superestimadas e falhas graves na gestão orçamentária que colocam o futuro financeiro do país em xeque.

Sob relatoria do ministro Benjamin Zymler, o parecer unânime dos magistrados serviu mais como uma advertência do que como uma chancela de boa gestão. O documento aponta que a rigidez do gasto público e a descontrolada trajetória da dívida bruta exigem atenção urgente, sob o risco de o país mergulhar em um cenário de instabilidade crônica.

Otimismo excessivo e buracos bilionários

Um dos pontos de maior atrito no relatório é a maquiagem das previsões orçamentárias. O TCU identificou que o governo inflou o Orçamento de 2025 em cerca de R$ 60 bilhões ao projetar receitas da Receita Federal que, na prática, não possuem lastro concreto. Para a Corte, a manobra não apenas compromete a transparência exigida pelo cargo, mas mina a confiança dos mercados e a previsibilidade da gestão pública.

Além da “contabilidade criativa”, o tribunal disparou alertas sobre a execução orçamentária em áreas sensíveis. A operação da Pré-Sal Petróleo S.A. (PPSA) foi citada por movimentações financeiras à margem da Conta Única do Tesouro Nacional, sem mecanismos adequados de controle. O suporte aos Correios também entrou na mira: a União teria garantido crédito à estatal sem a devida análise de risco, expondo o contribuinte a um prejuízo potencial pela incapacidade de pagamento da empresa.

Com o parecer, o documento segue agora para o Congresso Nacional, que detém a palavra final sobre o julgamento das contas presidenciais. Enquanto isso, o Executivo tenta vender uma normalidade que os números, sob a lupa dos auditores, teimam em desmentir.

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