Subsidio público pode acabar servindo de impulso à expansão do mototáxi por aplicativo, alertam especialistas
Para o conjunto de entidades que defendem o transporte coletivo, como ANTP, as consequências da migração de passageiros de ônibus para mototáxi têm caráter perverso. Segundo o superintendente da associação, IPEA e outras fontes, passar apenas 10% dos usuários do ônibus para mototáxi pode aumentar em até 30% os custos operacionais do sistema de transporte urbano. Isso significa que os cofres públicos serão pressionados a oferecer subsídios extras — recursos que confluiriam para plataformas privadas de transporte e não para fortalecer o transporte coletivo.
Além da distorção financeira, a adoção irrestrita do mototáxi eleva riscos à segurança no trânsito. A IPEA, por meio de sua nota técnica, destaca a maior incidência de acidentes graves envolvendo motocicletas e questiona a adequação desse modal para transporte remunerado de passageiros — sobretudo sem regulações rigorosas. A ANTP chama atenção para os custos de saúde pública gerados pelos acidentes, ocupação de leitos hospitalares e prejuízos sociais associados a esse modelo modal.
Para mitigar os impactos negativos, foram propostas algumas medidas de regulamentação: delimitação de zonas onde o mototáxi possa operar, restrições de velocidade, proibição de ultrapassagens perigosas, controle de jornada dos condutores e uso de tecnologia para bloquear viagens fora de áreas autorizadas. Algo que, na visão da ANTP, só faria sentido se o mototáxi for tratado como complemento — e não como concorrente — ao transporte público.
A polêmica revela um dilema central da mobilidade urbana: diante da busca por inovação e alternativas ao transporte tradicional, existe o risco de se transformar o subsídio que deveria garantir transporte acessível e coletivo num mecanismo de fomento a serviços privados e fragmentados — com custo social e fiscal elevado.
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