O ministro do STF, André Mendonça, determinou o afastamento de um diretor da Dataprev e de três servidores do INSS no âmbito de uma nova fase da investigação sobre fraudes em benefícios previdenciários.
A decisão atende a pedido da Polícia Federal, que apura a atuação de uma organização criminosa estruturada para aplicar descontos indevidos em aposentadorias e pensões — muitas vezes sem qualquer autorização dos beneficiários, em sua maioria idosos.
Segundo as investigações, o esquema envolvia filiações associativas fraudulentas em massa, permitindo a retirada automática de valores diretamente dos benefícios. O dinheiro, de acordo com a PF, era posteriormente lavado por meio de empresas de fachada e até escritórios de advocacia.
A operação é mais um desdobramento do escândalo que ficou conhecido como a “farra do INSS”, que já atingiu cifras bilionárias e expôs falhas graves de controle dentro da máquina pública. Estimativas apontam que milhões de beneficiários podem ter sido prejudicados ao longo dos últimos anos.
Além dos afastamentos, a investigação já resultou em pedidos de prisão, buscas e bloqueio de bens de envolvidos, incluindo empresários, advogados e agentes públicos. A Polícia Federal sustenta que havia divisão de tarefas e atuação coordenada para manter o esquema ativo e ocultar os valores desviados.
Nos bastidores de Brasília, a decisão amplia a pressão sobre o governo federal, que já vinha sendo cobrado por respostas diante do escândalo. Enquanto isso, aposentados seguem aguardando ressarcimento — e explicações mais convincentes do que o tradicional “estamos apurando”.




