Em uma demonstração clássica de transferência de responsabilidades, o Palácio do Planalto presenciou mais um espetáculo de contorcionismo retórico. Em reunião a portas fechadas com aliados e membros da campanha, o ex-presidente e atual candidato à reeleição, Luiz Inácio Lula da Silva, tentou justificar a falta de empolgação de seu eleitorado mirando suas baterias para um alvo inusitado: o Supremo Tribunal Federal (STF). O homem que até ontem defendia a Corte com unhas e dentes, agora, diante das pesquisas e da sombra da abstenção, parece ter descoberto que a “promiscuidade” do Judiciário atrapalha.
A informação, que vazou dos bastidores de Brasília para a imprensa, revela um candidato pressionado não apenas pelo desempenho resiliente de seu adversário, o senador Flávio Bolsonaro (PL), mas também pelo fantasma do “não voto”. A equipe de Lula teme que a apatia do eleitorado, especialmente em redutos historicamente petistas, seja o calcanhar de Aquiles nesta eleição de 2026. A solução? Culpar a crise institucional, como se o atual governo não fosse parte fundamental dessa engrenagem.
Segundo fontes que acompanham a cobertura jornalística, Lula declarou aos seus correligionários que carrega a “promiscuidade” do STF em sua campanha. Uma afirmação no mínimo curiosa para quem, meses atrás, celebrava as decisões da Corte. A indignação seletiva do candidato petista é um sintoma claro do desespero de quem vê a vantagem nas pesquisas encolher e o segundo turno se desenhar como um campo minado de incertezas. A estratégia agora é tentar retomar as rédeas do debate com medidas populistas, o famoso “pão e circo” repaginado, enquanto a abstenção assombra o comitê central.
A tentativa de descolamento de imagem soa artificial e não esconde o nervosismo da campanha petista. Lula, que se gaba de ser um especialista no “mata-mata”, sabe que o jogo político atual exige mais do que bravatas e transferência de culpa. O eleitorado, cada vez mais cético, pode não comprar essa nova narrativa de “vítima do sistema” e optar por demonstrar seu descontentamento simplesmente não comparecendo às urnas.
O eleitor brasileiro, e especialmente o brasiliense, tem a oportunidade de refletir sobre o tipo de liderança que deseja para o país. Uma que assume suas responsabilidades ou uma que terceiriza a culpa a cada tropeço? A resposta, ao que tudo indica, será dada nas urnas, ou, ironicamente, na ausência delas.
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