“Não aceitamos ser tratados como uma republiqueta”: Lula reage à decisão de Trump sobre PCC e CV

Foto: Ricardo Stuckert / PR
Foto: Ricardo Stuckert / PR

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reagiu nesta sexta-feira, 29 de maio de 2026, à decisão do governo Donald Trump de enquadrar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. Em tom de soberania nacional, Lula afirmou que o Brasil não aceita ser tratado “como uma republiqueta” e criticou a articulação do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em Washington.

A fala ocorre após o Departamento de Estado dos Estados Unidos anunciar que designou PCC e CV como Terroristas Globais Especialmente Designados e que pretende incluí-los também na lista de Organizações Terroristas Estrangeiras a partir de 5 de junho de 2026. A decisão foi formalizada em comunicado oficial do governo americano, sob comando do secretário de Estado Marco Rubio.

Segundo a Veja, Lula também chamou Flávio Bolsonaro de “traidor da pátria” por defender a medida do governo dos Estados Unidos. O senador esteve recentemente nos EUA e afirmou ter pedido diretamente a Trump a classificação das facções brasileiras como organizações terroristas estrangeiras. O movimento foi acompanhado pelo DFMobilidade na matéria “Flávio se encontra com Trump e pede que PCC e CV sejam classificados como terroristas”.

A reação de Lula expõe o ponto mais sensível da crise: o combate ao crime organizado deixou de ser apenas tema de segurança pública e entrou de vez no tabuleiro diplomático e eleitoral. De um lado, Washington afirma que PCC e CV representam ameaça transnacional, com redes ligadas ao tráfico, lavagem de dinheiro e violência. De outro, o governo brasileiro resiste ao uso da categoria “terrorismo” para facções criminosas, argumentando que a legislação nacional trata terrorismo de forma distinta do crime organizado comum.

Na prática, a decisão americana pode ampliar sanções financeiras, bloqueio de ativos e restrições contra pessoas, empresas ou redes associadas às facções. O DFMobilidade já havia destacado esse efeito na reportagem “EUA enquadram PCC e CV como terroristas e colocam o Brasil sob pressão internacional”, apontando que a medida eleva o grau de pressão externa sobre o governo federal.

O episódio também alimenta a disputa política de 2026. Flávio Bolsonaro tenta transformar a pauta da segurança pública em ativo internacional, enquanto Lula busca enquadrar a movimentação como interferência externa em assunto interno brasileiro. É o tipo de crise em que Brasília fala em soberania, Washington fala em segurança nacional e o contribuinte brasileiro fica tentando entender quem, afinal, está segurando o rojão.

O governo Lula, porém, terá de enfrentar uma contradição política incômoda: ao mesmo tempo em que rejeita a classificação de PCC e CV como terroristas, precisará mostrar resultados concretos contra facções que expandiram influência, dinheiro e poder territorial. Discurso de soberania é importante, mas soberania sem controle do território vira apenas frase bonita em solenidade oficial.

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