As expectativas de inflação no Brasil voltaram a subir após um período de queda, acendendo um sinal de alerta no Banco Central. A avaliação consta na ata mais recente do Comitê de Política Monetária (Copom), divulgada nesta terça-feira (24), que aponta o impacto direto dos conflitos no Oriente Médio sobre o cenário econômico global.
De acordo com o colegiado, o ambiente externo interrompeu a trajetória de desaceleração da inflação, mantendo as projeções acima da meta em todos os horizontes analisados. O documento destaca que, diante desse cenário, será necessário manter uma política monetária mais rígida por um período maior.
O Copom foi direto ao ponto: com as expectativas de inflação “desancoradas”, o custo para trazer os preços de volta à meta tende a ser mais alto, exigindo juros elevados por mais tempo. A estratégia, segundo o Banco Central, deve ser conduzida com “perseverança, firmeza e serenidade” para evitar efeitos ainda mais severos na economia.
A pressão inflacionária tem origem, principalmente, no cenário internacional. A escalada de tensões no Oriente Médio elevou os preços do petróleo, o que impacta diretamente combustíveis, transporte e, por consequência, toda a cadeia de consumo.
Esse efeito já começa a aparecer nas projeções do mercado financeiro. Estimativas recentes indicam alta tanto na inflação quanto na taxa básica de juros (Selic), refletindo o aumento dos custos globais e a incerteza sobre a duração do conflito.
Na prática, o recado do Banco Central é claro: o cenário ficou mais difícil. E quando a inflação resolve dar meia-volta, o remédio — juros altos — costuma vir em dose prolongada.




