Mais de 12 mil integrantes das carreiras da advocacia pública federal dividiram, ao longo de 2025, um montante de R$ 6,1 bilhões em honorários de sucumbência — um recorde que chama atenção não apenas pelo volume, mas pelo ritmo de crescimento. O valor é quase três vezes superior ao registrado no ano anterior, quando os pagamentos somaram R$ 2,1 bilhões, impulsionados por verbas retroativas e adicionais como auxílio-saúde e alimentação.
Entre os beneficiários está o atual ministro da Advocacia-Geral da União, , que recebeu mais de R$ 700 mil em honorários no período. A quantia se soma ao salário mensal de R$ 46,3 mil pago a ministros de Estado, elevando significativamente sua remuneração total ao longo do ano.
Os repasses não foram lineares. Embora a média mensal tenha ficado em torno de R$ 19 mil, houve picos expressivos. Em janeiro, o ministro recebeu cerca de R$ 193 mil, enquanto em julho os valores saltaram para R$ 307 mil. Ainda assim, os pagamentos ao chefe da AGU ficaram abaixo de outros membros da instituição. Há registro de uma procuradora aposentada que recebeu R$ 444 mil em apenas um mês.
Os honorários de sucumbência são valores pagos pela parte derrotada em processos judiciais e destinados aos advogados públicos que atuaram nas ações. Na prática, funcionam como uma espécie de bônus vinculado ao desempenho judicial da União.
O crescimento acelerado desses pagamentos reacende o debate sobre os chamados “penduricalhos” no serviço público — mecanismos que, embora legais, ampliam de forma significativa a remuneração de servidores além do teto constitucional. Em meio ao discurso recorrente de ajuste fiscal e contenção de gastos, os números da AGU expõem uma realidade que destoa da narrativa de austeridade.
Enquanto isso, a conta segue sendo bancada, direta ou indiretamente, pelo contribuinte — que, ao que tudo indica, continua sendo o único personagem sem direito a bônus no fim do processo.
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