A escalada do conflito no Oriente Médio, envolvendo o Irã, passou a preocupar diretamente o agronegócio brasileiro. O principal motivo é a forte dependência do país de fertilizantes importados, insumo essencial para a produção de grãos como soja, milho e algodão.
Dados do setor indicam que cerca de 85% a 90% dos fertilizantes usados no Brasil vêm do exterior, o que torna a agricultura nacional extremamente sensível a crises geopolíticas e interrupções no comércio internacional.
Segundo análises recentes do setor agro, um documento interno do governo federal aponta “elevadíssimo risco” de falta de fertilizantes caso o conflito no Oriente Médio se prolongue e comprometa a logística global de insumos agrícolas.
Dependência externa e vulnerabilidade
A produção agrícola brasileira depende sobretudo de três tipos de nutrientes: potássio, nitrogênio e fósforo. Grande parte desses produtos é importada, principalmente de países como Rússia, China e nações do Oriente Médio.
O potássio é considerado o ponto mais sensível da cadeia. Cerca de 97% do potássio utilizado no Brasil vem de fora, o que torna o país vulnerável a qualquer ruptura no comércio internacional.
Além disso, fertilizantes nitrogenados, como a ureia, dependem de gás natural para serem produzidos, o que torna a indústria ainda mais suscetível a crises energéticas ou conflitos em regiões produtoras.
Guerra ameaça rotas e encarece insumos
A tensão militar no Oriente Médio também ameaça importantes rotas marítimas usadas para o transporte de fertilizantes. O estreito de Ormuz, por exemplo, é uma das principais passagens para o comércio de insumos agrícolas no mundo.
Analistas do mercado alertam que o fechamento ou a instabilidade nessa rota pode elevar drasticamente os custos logísticos e provocar atrasos nas entregas. Além disso, ataques a instalações industriais e navios na região podem reduzir a oferta global desses produtos.
O resultado imediato tende a ser o aumento do preço dos fertilizantes, pressionando o custo de produção no campo. Caso a crise se prolongue, especialistas não descartam impactos na produtividade agrícola e, consequentemente, nos preços dos alimentos.
Impactos diretos para o Brasil
O Brasil é um dos maiores produtores agrícolas do mundo e depende desses insumos para sustentar sua produção recorde de grãos. A interrupção do fornecimento ou a alta expressiva nos preços pode comprometer o planejamento das próximas safras.
Em 2025, o país importou quase 45 milhões de toneladas de fertilizantes, evidenciando a magnitude dessa dependência externa.
Por isso, especialistas defendem que o país acelere projetos para ampliar a produção interna de fertilizantes e reduzir a vulnerabilidade a crises internacionais. Enquanto isso não acontece, o agronegócio brasileiro segue acompanhando com cautela os desdobramentos da guerra no Oriente Médio.
Se o conflito se intensificar, o impacto pode ir além do campo — chegando também ao preço dos alimentos na mesa dos brasileiros.




