A ameaça de paralisação nacional dos caminhoneiros perdeu força nesta semana, mas está longe de significar calmaria no setor. Lideranças da categoria decidiram suspender a proposta de greve prevista para esta quinta-feira (19), optando por manter negociações com o governo federal — uma decisão que, nos bastidores, revela mais cautela do que confiança.
De acordo com informações publicadas pela Folha de S.Paulo, a decisão foi tomada em assembleia após rodadas de conversas com representantes do Palácio do Planalto. A categoria agora aguarda uma reunião marcada para a próxima semana, em Brasília, com o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, .
O recuo ocorre em meio a um cenário de pressão crescente. De um lado, o aumento no preço do diesel segue corroendo a margem de lucro dos transportadores. Do outro, os valores pagos pelos fretes continuam sendo alvo de críticas, considerados insuficientes para cobrir os custos operacionais.
Na tentativa de conter a crise, o governo federal editou uma Medida Provisória que reforça o cumprimento do piso mínimo do frete — uma das principais bandeiras da categoria desde a histórica paralisação nacional em . A nova regra endurece a fiscalização e prevê sanções mais severas para empresas que descumprirem a tabela.
Apesar do gesto, o movimento dos caminhoneiros indica que a confiança ainda é limitada. A suspensão da greve, nesse contexto, funciona mais como um “freio de mão puxado” do que como sinal de resolução. A categoria segue atenta — e pronta para acelerar novamente, caso as promessas não saiam do papel.
Nos corredores de Brasília, o recado já foi entendido: o risco de uma nova crise logística não foi descartado — apenas adiado.




