Greve de ônibus entra no segundo dia e usuários que pagam a conta

Foto: Agência Brasil
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Greve dos ônibus no Rio entra no segundo dia e transforma ponto de parada em sala de espera a céu aberto

O Rio de Janeiro amanheceu nesta terça-feira, 30 de junho, com um velho drama em versão ampliada: passageiros espremidos em pontos lotados, ônibus escassos e a rotina de trabalho dependurada na incerteza. A greve dos rodoviários chegou ao segundo dia e expôs, mais uma vez, a fragilidade de uma cidade que depende do transporte coletivo para funcionar, mas parece sempre descobrir isso apenas quando os ônibus somem das ruas.

No centro do impasse estão as reivindicações dos trabalhadores, que pedem piso salarial de R$ 4 mil para motoristas de ônibus convencionais, R$ 5 mil para condutores de articulados, aumento no vale-alimentação, plano de saúde e escala 5×2. A Justiça determinou a circulação mínima de parte da frota, mas a ordem no papel não encurta fila, não reduz atraso e não leva passageiro para o trabalho. Convenhamos: despacho judicial ainda não virou modal urbano.

A tentativa de saída passou por audiência de mediação no Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região, seguida de assembleia da categoria. Enquanto o acordo não vem, a orientação da prefeitura foi empurrar a demanda para metrô, trens e barcas, que operaram como rotas alternativas. A TrensRJ anunciou reforço na operação, e o BRT também ampliou parte da frota, mas tudo com cara de remendo emergencial em uma crise que já nasceu com endereço certo: a porta do usuário.

O episódio serve de alerta para outras regiões metropolitanas, inclusive o Entorno do DF, onde o DFMOBILIDADE já mostrou a pressão sobre passageiros e trabalhadores em matérias como Rodoviários de Planaltina de Goiás mantêm greve enquanto empresa promete pagamento até as 17h e Programa Vai de Graça registra mais de 2,4 milhões de acessos no transporte público do DF. Quando o ônibus para, a cidade aprende na marra que mobilidade não é detalhe administrativo: é o que separa o cidadão do emprego, da escola, do hospital e, muitas vezes, da própria dignidade.

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