Gilmar Mendes acusou Luiz Fux de ter feito um “ajuste prévio” com André Mendonça antes da sessão da Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal que analisou o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e do diretor de Inteligência Policial, Leandro Almada. A acusação consta de ofício encaminhado por Gilmar a Fux e aprofunda o embate interno entre ministros da Corte sobre a condução e o rito do julgamento.
O questionamento se concentra na velocidade do procedimento. Segundo a cronologia apresentada por Gilmar, Mendonça proferiu a decisão às 8h43 de 8 de setembro; o processo entrou na pauta às 9h29; o gabinete do decano foi comunicado da sessão às 9h38; e o julgamento começou às 10h. Gilmar sustentou que os 22 minutos de antecedência eram insuficientes para que todos os integrantes da Turma analisassem adequadamente uma decisão de forte impacto institucional.
Logo no início da sessão, Gilmar pediu vista. Ainda assim, Fux e Nunes Marques anteciparam seus votos e acompanharam Mendonça, formando maioria favorável à medida cautelar. Registros publicados no próprio dia 8 confirmaram a sequência dos votos e o pedido de vista, embora haja pequenas divergências entre veículos sobre o minuto exato em que ele foi formalizado.
No documento, Gilmar questiona especialmente a forma como a sessão foi organizada e sustenta que um colegiado de cinco ministros não pode funcionar a partir de entendimentos restritos entre o presidente e o relator. A manifestação transforma uma divergência sobre o afastamento da cúpula da PF em uma discussão mais ampla sobre colegialidade, rito e funcionamento interno do Supremo. O julgamento, porém, permanece sem conclusão definitiva após o pedido de vista.




