A disputa presidencial ganhou nesta terça-feira, 6 de outubro, um novo embate sobre o mercado de trabalho. Flávio Bolsonaro (PL) criticou a proposta de redução da jornada vinculada ao fim da escala 6×1 e contrapôs ao modelo defendido pelo governo Lula uma alternativa baseada na liberdade para o trabalhador negociar sua carga horária. “Dar liberdade para o trabalhador escolher sua própria carga horária”, afirmou o candidato, que classificou a proposta governista como oportunista.
A estratégia coloca Lula diante de dois conceitos distintos para disputar o voto do trabalhador no segundo turno. O governo encaminhou ao Congresso o Projeto de Lei nº 1.838/2026, que estabelece jornada máxima de 40 horas semanais, dois descansos remunerados e proíbe redução nominal ou proporcional dos salários. A PEC 221/2019, atualmente em discussão no Senado, segue linha semelhante ao reduzir de 44 para 40 horas semanais e garantir dois dias de repouso.
Flávio tenta deslocar o debate: em vez de o Estado determinar uma nova jornada uniforme, sustenta que diferentes trabalhadores possuem necessidades diferentes. O candidato cita principalmente mães que não conseguem cumprir oito horas diárias e defende contratação por hora, com direitos proporcionais, além de vouchers para creches quando não houver vaga na rede pública. No Senado, uma emenda apresentada durante a tramitação da PEC chegou a propor contrato individual por hora trabalhada, mas não foi incorporada ao texto aprovado pela Comissão de Constituição e Justiça.
É nesse contraste que Flávio procura colocar Lula em xeque politicamente: 40 horas e dois dias de descanso garantidos em lei contra flexibilidade para cada trabalhador definir sua própria jornada. O primeiro modelo preserva expressamente o salário na redução da carga horária; o segundo aposta na remuneração proporcional às horas trabalhadas e na liberdade contratual. Com Lula e Flávio oficialmente registrados pelo Tribunal Superior Eleitoral para o segundo turno, a escala 6×1 deixa de ser apenas uma discussão trabalhista e passa a integrar diretamente a batalha de projetos para o país.




