A disputa presidencial chegou a uma nova frente de batalha na Justiça Eleitoral. O candidato Flávio Bolsonaro (PL) protocolou, nesta quinta-feira (8 de outubro), uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), acusando uma rede de perfis favoráveis ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de promover uma campanha de desinformação. A ação, com 196 páginas, pede inclusive a cassação da chapa formada por Lula e Geraldo Alckmin.
Segundo a denúncia, publicações difundidas no Instagram atribuiriam a Flávio propostas como extinguir o Bolsa Família, privatizar o Sistema Único de Saúde (SUS), acabar com o 13º salário, congelar aposentadorias e impor jornadas de trabalho de até 16 horas diárias. Os advogados sustentam que essas mensagens integram uma estratégia coordenada para provocar insegurança entre os eleitores. As acusações ainda dependem de análise judicial.
O levantamento apresentado pela defesa identificou 2.856 publicações de 146 perfis entre os dias 5 e 7 de outubro. Desse universo, 218 postagens foram classificadas pelos autores como integrantes de um suposto núcleo de desinformação, com alcance estimado em 11,6 milhões de visualizações e 2,5 milhões de interações. A campanha solicita a suspensão de 32 perfis, a remoção de 221 publicações, restrições às postagens colaborativas e multas que podem alcançar R$ 50 mil por publicação em caso de descumprimento das ordens judiciais.
A ofensiva jurídica ocorre às vésperas do segundo turno, marcado para 25 de outubro, e coloca em discussão o uso coordenado das redes sociais na propaganda eleitoral. A legislação permite a cassação de candidaturas quando comprovado abuso grave dos meios de comunicação, mas a apresentação da denúncia não significa reconhecimento de irregularidade. Até a divulgação da ação, a campanha de Lula afirmava não ter sido oficialmente notificada e, por isso, não havia apresentado resposta às acusações.




