O governo dos Estados Unidos enviou um recado direto ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre o leilão de um megaterminal no Porto de Santos, considerado o maior porto da América Latina. Autoridades americanas demonstraram preocupação com a possível participação de empresas estatais chinesas no projeto, avaliando que o controle do empreendimento pode gerar riscos estratégicos e geopolíticos para o Brasil.
O alerta foi feito pelo cônsul dos Estados Unidos em São Paulo, Kevin Murakami, durante encontro com empresários. Segundo ele, o modelo de licitação do chamado Tecon 10, novo terminal de contêineres projetado para a região, poderia favorecer empresas ligadas ao governo da China. Na avaliação do diplomata, isso poderia comprometer a soberania brasileira sobre sua principal porta de entrada marítima e gerar impactos nas relações com o governo do presidente Donald Trump.
O megaterminal deve exigir investimentos superiores a R$ 6 bilhões e ampliar significativamente a capacidade logística do porto paulista. O leilão, que já sofreu adiamentos, está previsto para ocorrer no segundo semestre e desperta interesse de grandes operadores globais do setor portuário.
Durante a fala, Murakami criticou regras do edital discutidas no Tribunal de Contas da União, que restringem a participação de empresas que já operam no porto. Segundo ele, as mudanças podem acabar favorecendo companhias estatais chinesas, enquanto operadores europeus tradicionais ficariam de fora da disputa inicial.
O Tecon 10 é considerado um dos projetos logísticos mais relevantes da infraestrutura brasileira nas próximas décadas. Especialistas apontam que a decisão sobre quem controlará o terminal não terá apenas impacto econômico, mas também implicações geopolíticas, especialmente diante da crescente disputa de influência entre Estados Unidos e China na América Latina.
A pressão internacional adiciona mais um ingrediente à já delicada equação política do governo Lula: equilibrar relações com Washington e Pequim enquanto tenta atrair investimentos bilionários para infraestrutura estratégica do país.
No tabuleiro global, o recado americano foi claro — e nada sutil. Resta saber se Brasília vai tratar o aviso como diplomacia preventiva… ou como simples ruído geopolítico.




