Diesel sobe, promessa evapora e greve volta ao radar: governo perde controle e caminhoneiros ameaçam parar o Brasil
A ameaça de uma nova greve nacional dos caminhoneiros voltou ao centro do debate econômico e político, impulsionada pela disparada no preço do diesel e pela crescente insatisfação da categoria com as medidas adotadas pelo governo federal. Nos bastidores, lideranças do setor já admitem que há uma decisão favorável à paralisação — falta apenas definir a data.
O estopim da crise foi a sequência de decisões que, na prática, anulou qualquer alívio prometido. No dia 12 de março, o governo federal anunciou a zeragem de PIS/Cofins sobre o diesel, além de uma subvenção que poderia reduzir o preço em até R$ 0,64 por litro. A medida foi vendida como solução emergencial para conter os custos do transporte.
Durou pouco.
No dia seguinte, a Petrobras reajustou o diesel em R$ 0,38 por litro, pressionada pela alta do petróleo no mercado internacional, agravada pelas tensões no Oriente Médio. O resultado foi imediato: parte relevante do “desconto” prometido evaporou antes mesmo de chegar ao bolso do caminhoneiro.
A reação da categoria foi de frustração e descrédito. Para muitos motoristas, o governo criou um alívio artificial que não resistiu nem 24 horas à realidade do mercado. A percepção é de falta de coordenação entre política fiscal e política de preços da estatal.
Como se não bastasse, o impasse federativo agravou ainda mais o cenário. Governadores rejeitaram reduzir o ICMS sobre o diesel, contrariando o pedido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Os estados alegam perdas bilionárias acumuladas com cortes anteriores e afirmam que novas reduções colocariam em risco suas finanças.
O efeito dominó está montado: combustível caro, promessas ineficazes e um jogo de empurra entre União e estados. No meio disso, o caminhoneiro — que depende diretamente do diesel para trabalhar — vê sua margem desaparecer.
Especialistas alertam que uma paralisação nacional teria impacto imediato na inflação, no abastecimento e na atividade econômica, repetindo ou até ampliando os efeitos da greve histórica de 2018. Ainda assim, o clima atual indica que o risco deixou de ser hipótese e passou a ser possibilidade concreta.
Enquanto o governo tenta reorganizar o discurso e buscar saídas, a categoria se mobiliza. E, como já mostrou no passado, quando o caminhão para, o Brasil sente.
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