Com Jair Bolsonaro preso e fora do tabuleiro eleitoral, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a ocupar o centro do noticiário nacional com uma estratégia que mistura simbolismo, narrativa e espetáculo: a tentativa de transformar o Carnaval em um palco político, antecipando a disputa de 2026.
A cena é emblemática. Em vez de governar com foco em resultados, Lula aparece associado a enredos e homenagens em pleno Sambódromo da Sapucaí, cercado por ministros, amigos e familiares, enquanto a oposição reage e acusa o Planalto de usar a cultura popular como instrumento de pré-campanha.
O episódio ganhou contornos ainda mais ruidosos porque ocorre em um momento de tensão política e institucional, com o país dividido e o governo federal pressionado por críticas sobre economia, segurança, desgaste social e promessas não cumpridas. O Carnaval, tradicionalmente um espaço de expressão cultural, virou combustível para uma disputa narrativa nacional.
Janja recua e o Planalto tenta controlar danos
No centro da repercussão também está a primeira-dama Janja da Silva, que, segundo a própria imprensa, desistiu de desfilar em uma homenagem a Lula na Sapucaí. A decisão foi interpretada como tentativa de reduzir desgaste e evitar a imagem de autopromoção em horário nobre.
Ainda assim, Lula compareceu ao desfile e assistiu à apresentação ao lado de integrantes do governo, em um gesto visto por aliados como “prestígio” e por críticos como “campanha disfarçada”.
Oposição reage e o Carnaval vira trincheira
A movimentação provocou reações imediatas. A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro criticou a representação de Bolsonaro como palhaço preso em um desfile relacionado ao presidente. Já o senador Sergio Moro ironizou, dizendo que “faltou o carro da Odebrecht”, em referência ao histórico de escândalos que marcou governos petistas no passado.
Nas redes, petistas celebraram a homenagem como reconhecimento popular. Do outro lado, adversários apontaram que o governo tenta compensar fragilidades de gestão com marketing político e espetáculo.
Globo acusada de “esconder” e disputa chega à mídia
A polêmica escalou quando internautas e grupos políticos passaram a acusar a TV Globo de “esconder” a escola de samba que homenageou Lula, alimentando mais um capítulo da guerra cultural e da disputa por narrativa.
O que se viu foi um fenômeno típico de ano eleitoral: a pauta deixa de ser o que o governo entrega e passa a ser o que o governo consegue encenar.
Bolsonaro preso e o jogo político reconfigurado
Com Bolsonaro preso, o cenário muda. A ausência do principal adversário do PT reorganiza o debate nacional e abre espaço para Lula tentar se reposicionar como figura central do país, buscando polarizar com a “memória do bolsonarismo” em vez de enfrentar diretamente os desafios do presente.
A estratégia é clara: manter o noticiário girando em torno do presidente, mesmo que por meio de controvérsia, porque em política — especialmente em ano eleitoral — quem controla a pauta controla parte do jogo.
E, ao que tudo indica, Lula pretende entrar em 2026 com o microfone ligado, a bateria tocando e a imprensa obrigada a seguir o ritmo.
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